Claro e Digia divergem sobre PL que veda cobrança por tráfego na internet

O debate sobre fair share voltou a opor empresas de telecomunicações e plataformas digitais em torno do PL 4.019, proposta que busca vedar a imposição de cobrança pelo tráfego de dados na internet. Em painel sobre o tema, Fábio Andrade, vice-presidente de Relações Institucionais da Claro, defendeu que grandes geradores de tráfego contribuam para a expansão da infraestrutura digital. Alessandro Molon, executivo da Digia — Aliança pela Infraestrutura Digital e Internet Aberta, afirmou que o projeto não impede acordos comerciais e tem como objetivo preservar a neutralidade de rede.

Foto: Paulo Cerqueira/Amado Mundo

Andrade disse que a discussão não deve ser tratada como uma “taxa de rede”, expressão que, segundo ele, deixou de usar. Para o executivo, o crescimento do consumo de dados exige diálogo entre operadoras e plataformas digitais. Ele citou streaming em 4K, jogos online e inteligência artificial como fatores que ampliam a demanda sobre as redes.

Segundo Andrade, mais de 50% do tráfego atual é ocupado por grandes usuários. Ele afirmou que a Claro não pretende repassar cobrança ao consumidor, mas buscar formas de cooperação com empresas digitais, seja por CDNs, pesquisa, investimentos ou outros modelos de contribuição.

Divergência sobre o PL

O principal ponto de divergência foi o alcance do PL 4.019, defendido por Molon. Andrade afirmou que o texto pode limitar negociações comerciais futuras entre operadoras e plataformas, ao vedar cobrança relacionada ao tráfego. Para ele, a redação pode gerar insegurança jurídica e restringir acordos privados.

Molon contestou essa interpretação. Segundo ele, o projeto busca impedir a imposição de uma cobrança pelo tráfego de dados, mas não proíbe acordos comerciais. O executivo afirmou que parcerias podem existir desde que não violem a neutralidade de rede.

Neutralidade de rede

Andrade também defendeu atualização do debate sobre neutralidade de rede. Ele citou aplicações como cirurgia remota e carros autônomos, que exigem baixa latência e priorização técnica de tráfego.

Molon respondeu que o Marco Civil da Internet já prevê exceções à neutralidade por exigências técnicas e serviços de emergência. Para ele, a regra deve continuar impedindo discriminação de tráfego por razões comerciais.

Investimentos e CDNs

Molon afirmou que plataformas digitais já investem em CDNs, cabos submarinos e infraestrutura para aproximar conteúdo dos usuários. Segundo ele, isso reduz custos para provedores e melhora a eficiência da rede.

Andrade disse que esses investimentos não eliminam a necessidade de discutir novos modelos de cooperação. Para a Claro, o avanço da inteligência artificial tende a ampliar o volume de dados e pressionar a capacidade das redes.

O post Claro e Digia divergem sobre PL que veda cobrança por tráfego na internet apareceu primeiro em TeleSíntese.

Tags

Compartilhe

Brasil é 24º em ranking de eSIM; regulação é entrave, aponta relatório
Brasil é 24º em ranking de eSIM; regulação é entrave, aponta relatório
Claro: engessar a Internet é um erro grave e vai custar caro ao país
Claro acusa projeto apoiado por plataformas de Internet de 'engessar' acordos
Claro acusa projeto apoiado por plataformas de Internet de 'engessar' acordos
Claro e Digia divergem sobre PL que veda cobrança por tráfego na internet
Claro e Digia divergem sobre PL que veda cobrança por tráfego na internet
Ministério das Cidades prevê R$ 1 bi do FGTS para transformação digital urbana
Ministério das Cidades prevê R$ 1 bi do FGTS para transformação digital urbana
Alloha Fibra moderniza rede para reduzir delay na Copa do Mundo
Alloha Fibra moderniza rede para reduzir delay na Copa do Mundo
ONS abre nova rodada de acesso ao grid em 1º de junho
ONS abre nova rodada de acesso ao grid em 1º de junho
TelComp elege CEO da Vero para presidir Conselho
TelComp elege CEO da Vero para presidir Conselho
TelComp elege novo conselho com CEO da Vero como presidente
TelComp elege novo conselho com CEO da Vero como presidente
Anatel aprova transferência de controle da Desktop para a Claro e impõe obrigação sobre postes