
A Claro deve analisar a compra da Oi Soluções, caso o ativo seja colocado no mercado, mas evitou indicar qualquer movimento concreto no momento. Em coletiva realizada nesta quarta-feira, 23, o CEO da operadora, Rodrigo Marques, disse que a companhia segue avaliando oportunidades alinhadas ao seu negócio e tratou a unidade corporativa da Oi como uma possibilidade entre outras. A unidade está prevista como ativo disponível para venda no plano de recuperação judicial da Oi e na lista de intenções do gestor judicial da companhia.
“A Oi Soluções é uma oportunidade que se aparecer, a gente vai analisar”, pontuou Marques. O gestor judicial da Oi já tinha informado, no começo da semana, que há grandes operadoras interessadas no ativo.
A declaração veio após o Marques reiterar que a companhia mantém avaliação constante sobre ativos e negócios que possam complementar sua atuação. “A gente está sempre analisando oportunidades que existem no mercado, seja de fibra, seja de outros negócios que tenham a ver e façam sentido para o nosso negócio”, afirmou.
Desktop segue em aprovação
Hoje, o principal processo de M&A em andamento para a empresa é a compra da Desktop. Segundo Marques, a Claro agora aguarda a tramitação regulatória na Anatel e no Cade. Sua expectativa é concluir essa etapa ainda em 2026, embora evite cravar prazo. A seu ver, a aprovação deve sair sem restrições, mas reconheceu que essa definição depende da análise dos órgãos competentes.
Ao explicar a motivação da aquisição, Rodrigo citou três fatores principais: presença concentrada no estado de São Paulo, qualidade da rede e base relevante de clientes. Segundo ele, a concentração geográfica facilita a operação e a captura de ganhos.
A empresa não abriu estimativas de sinergia nem percentual de sobreposição de rede, mas afirmou esperar efeitos operacionais e comerciais relevantes. De acordo com o executivo, o portfólio da Claro poderá ser ofertado sobre essa base, incluindo serviços móveis e convergentes.
700 MHz entra no radar por precaução
Marques também comentou a inscrição da companhia no processo relacionado às sobras do espectro de 700 MHz. Segundo ele, o movimento teve caráter preventivo, já que a empresa avalia ser improvável chegar à etapa em que efetivamente poderá disputar faixas remanescentes.
“É mais por uma precaução. Se sobrar, a gente quer comprar”, afirmou. Na sequência, ponderou: “Do jeito que o leilão foi estruturado, é difícil chegar na nossa terceira etapa, que é onde a gente entra”.
A Claro não detalhou quais regiões seriam prioritárias em caso de sobras disponíveis. Rodrigo disse apenas que há interesse em vários locais, sem abrir a estratégia por razões concorrenciais.
Conversas sobre Starlink D2D
Outro tema abordado foi a possibilidade de acordo envolvendo conexão direta entre satélite e celular, o chamado direct-to-device, ou D2D. Rodrigo confirmou que há conversas em andamento com a Starlink, mas disse que ainda não existe desenho comercial definido.
“Estamos conversando para ver se existe alguma possibilidade de fazer alguma coisa”, declarou. Segundo ele, o debate ainda está em fase inicial e pode resultar em diferentes formatos de oferta, sem definição por enquanto sobre foco B2B ou B2C.
Na explicação do executivo, a tecnologia em discussão é diferente do serviço tradicional de banda larga fixa via satélite. O interesse está concentrado na conexão direta ao aparelho celular em áreas sem cobertura terrestre.
Mercado segue competitivo
Ao tratar do ambiente concorrencial, Rodrigo afirmou que a disputa no móvel segue intensa, mesmo após a consolidação do setor. “Hoje o mercado móvel no Brasil, nos últimos seis meses, é o momento mais competitivo que ele tem enfrentado”, disse. Segundo ele, a empresa vê ofertas agressivas direcionadas à sua base e forte pressão sobre preços.
Essa leitura apareceu também quando o executivo comentou reajustes. Segundo ele, a operadora não consegue repassar integralmente a inflação ao preço final dos planos, porque o comportamento do mercado segue como principal limitador.
Pressão de custos e equipamentos
Na mesma coletiva, o executivo comentou o aumento do custo de equipamentos afetados pela alta das memórias. Segundo ele, a pressão já alcança celulares, modems, TVs e itens ligados à infraestrutura de rede. A companhia diz que ainda busca absorver parte desses aumentos, mas reconhece que a persistência do problema, que deve se estender até 2028, pode afetar preços e disponibilidade no futuro.
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