A China colocou a inteligência artificial no centro de seu planejamento para 2026 a 2030 e passou a tratar a disputa tecnológica com os Estados Unidos como uma questão de segurança nacional. A avaliação foi apresentada nesta quarta-feira, 16 de abril, pelo professor da Universidade Tsinghua David Daokui Li, conselheiro econômico do governo chinês, em webinar promovido pelo Conselho Empresarial Brasil-China (CEBC). Segundo ele, “se a China perder essa competição, sua segurança nacional estará ameaçada”.
Na exposição, Li afirmou que o desenvolvimento tecnológico, com foco em IA, superou o estímulo à demanda doméstica entre as prioridades do novo Plano Quinquenal. A modernização industrial aparece logo depois, enquanto o fortalecimento do consumo interno ficou em terceiro lugar. Para o economista, a opção reflete a leitura de Pequim sobre a intensificação do ambiente geopolítico e o peso crescente da tecnologia na disputa internacional.
6G entre os setores monitorados
Ao detalhar a estratégia chinesa de longo prazo, Li incluiu a comunicação 6G no grupo de indústrias emergentes acompanhadas pelo país para a próxima década. Na mesma lista, citou tecnologia quântica, manufatura biológica, hidrogênio, fusão nuclear e robôs humanoides. Segundo ele, essa agenda não é estática, mas atualizada por centros nacionais de pesquisa à medida que a evolução tecnológica altera as prioridades.
Li também procurou afastar a hipótese de fechamento da economia chinesa. Disse que a busca por maior autossuficiência, sobretudo em tecnologia, não significa abandono da cooperação internacional. Na leitura apresentada por ele, a China tenta ampliar sua capacidade interna sem romper com cadeias globais de inovação e produção.
Efeitos para o Brasil
Ao tratar da relação com o Brasil, o economista defendeu uma estratégia mais ativa de inserção no mercado chinês. Disse que o país precisa ir além da exportação de commodities, construir marca e agregar valor aos produtos. Também afirmou que o investimento produtivo tende a ganhar mais peso na relação bilateral e apontou a possibilidade de produzir no Brasil com tecnologia chinesa como resposta às tensões comerciais globais.
A moderação do debate foi feita por Fabiana D’Atri, diretora de Economia do CEBC e superintendente de Economia da Bradesco Asset. Ela afirmou que a transição chinesa pode reduzir o peso relativo das commodities, mas também abrir espaço para segmentos mais sofisticados, o que exigirá reposicionamento do Brasil. A abertura ficou a cargo de Luiz Augusto de Castro Neves, presidente do CEBC e ex-embaixador do Brasil na China.
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