
A América Latina deverá movimentar US$ 10 bilhões em gastos com inteligência artificial em 2026, com o Brasil respondendo por US$ 4,2 bilhões desse total, o equivalente a 41,7% do mercado regional. A estimativa foi apresentada pela IDC no evento LATAM Tech Insight Breakfast 2026, que também projeta crescimento do investimento corporativo em tecnologia da informação acima do ritmo da economia latino-americana.
Segundo a consultoria, o mercado total de TI da América Latina crescerá 10,8% em 2025, 8,1% em 2026 e 9% em 2027. No mesmo intervalo, o PIB regional deverá avançar 3,2%, 4,3% e 5,3%, respectivamente.

No recorte corporativo, a IDC estima que o mercado de TI empresarial na América Latina passará de US$ 94,1 bilhões em 2025 para US$ 104,1 bilhões em 2026 e US$ 118,1 bilhões em 2027. Entre os principais países da região, o Brasil aparece com crescimento de 13% em 2026.
A expansão do mercado corporativo ocorre em paralelo à perda de tração do segmento de dispositivos. A IDC projeta que o mercado latino-americano de devices cairá de US$ 70,8 bilhões em 2025 para US$ 68,5 bilhões em 2026, mantendo esse patamar em 2027.
Brasil lidera mercado regional de IA
Na estimativa da consultoria, o Brasil será o principal mercado de IA da América Latina em 2026, com US$ 4,2 bilhões em gastos. O México aparece em seguida, com US$ 2,4 bilhões e participação de 23,8%. Chile, Colômbia, Argentina e Peru aparecem abaixo de US$ 1 bilhão cada.
A projeção para IA inclui infraestrutura on-premises e em nuvem, plataformas, aplicações e serviços profissionais e gerenciados. O estudo também estima que os gastos regionais com inteligência artificial terão crescimento de 3,8 vezes entre 2025 e 2029, com CAGR de 39,7% no período.

Cerca de 65% de todo o gasto latino-americano com IA virá de grandes empresas e corporações.
Segurança, IA generativa e nuvem são prioridades
Entre as principais iniciativas de TI das empresas latino-americanas, segurança de TI e segurança em nuvem aparecem em primeiro lugar, citadas por 34% dos entrevistados. Em seguida vêm IA generativa, com 27%; IA e machine learning, com 23%; gestão híbrida de TI e nuvem, com 19%; soluções voltadas à automação de processos, também com 19%; plataformas de gestão de dados, com 17%; e agentic AI, com 17%.
No mesmo levantamento, modernização e consolidação de infraestrutura aparecem com 13%, enquanto infraestrutura em nuvem e aplicações em nuvem registram 12% cada. Serviços gerenciados e terceirização de TI somam 11%.
Pelo lado das motivações de negócio, 39% das empresas da região afirmam que o principal vetor dos investimentos em TI em 2026 será aumento de produtividade. A expansão da automação de processos foi citada por 35%, e o reforço de medidas de privacidade de dados, por 28%. Também aparecem entre as respostas melhoria da experiência do cliente, aumento de receita com serviços digitais e redução de custos.
IA avança, mas maioria ainda está em implementação
A IDC informa que 82% das empresas latino-americanas já adotaram IA ou planejam adotá-la. Desse total, 24% declaram já ter a tecnologia implantada, 31% afirmam que vão implementá-la em 2026 e 20% dizem estar conduzindo provas de conceito.

Entre as razões apontadas para adoção de IA, 65% das empresas mencionam ganho de eficiência, 61% citam responsividade e 51% indicam decisões mais rápidas. Nos benefícios já percebidos, decisões mais rápidas e produtividade individual aparecem com 58% cada, seguidas por responsividade, com 50%.
Ao mesmo tempo, a consultoria registra obstáculos na incorporação da tecnologia. Entre os praticantes de IA, os principais desafios em 2026 são falta de habilidades internas, com 41%; preocupações de segurança, com 37%; e espera pela maturidade da tecnologia, com 34%. A IDC também informa que 65% das empresas pretendem contratar profissionais com competências em IA para TI e áreas de negócio, enquanto 51% planejam recorrer a parceiros de serviços para acelerar a adoção da tecnologia.
Telecom e mídia com maiores gastos em IA
No recorte por setor, finanças lidera o gasto com IA na América Latina em 2026, com US$ 1,739 bilhão, seguida por manufatura, com US$ 1,329 bilhão, e serviços, com US$ 932 milhões. Telecom e mídia aparecem com US$ 585 milhões, acima de saúde e ciências da vida, com US$ 560 milhões, e de governo, com US$ 443 milhões.
Entre os fatores que as empresas latino-americanas consideram mais importantes para acelerar a digitalização, 43% apontam consistência dos dados para geração de insights e apoio à decisão. Em seguida vêm gestão da mudança, com 40%; parceiros tecnológicos capazes de atuar de forma estratégica, com 38%; apoio do conselho e de áreas-chave ao plano de digitalização, com 35%; e arquiteturas abertas, interoperabilidade e open source, com 34%.

No ecossistema de canais, a IDC informa que quase 75% dos parceiros da região mantêm menos de cinco relações ativas com fornecedores, e 57% desses parceiros usam distribuição para aquisição de produtos e serviços. Entre os recursos mais valorizados nas plataformas digitais dos distribuidores aparecem facilidade de procurement e fulfillment, com 48,9%, visibilidade e geração de demanda, com 40,2%, e possibilidade de listar software próprio, com 40,7%.
Nos marketplaces de cloud, os parceiros latino-americanos atuam principalmente em Microsoft, AWS, IBM Cloud e Google, e estimam crescimento de 22,8% de receita em 2026 por meio dessas plataformas.
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