Brasil entra na disputa para ficar com parte do fundo de 100 milhões de euros criado pela SAP

O Brasil quer ficar com um bom quinhão do fundo de 100 milhões de euros anunciado na abertura do SAPPHIRE 2026 pelo CEO da SAP, Christian Klein, para a massificação dos agentes IA no ecossistema da empresa.

“Estamos entendendo como vai ser a distribuição do dinheiro e as regras, mas o Brasil é o país que vem crescendo há 40 semestres seguidos e o brasileiro é um dos mais abertos à inovação. Vou brigar para ficar com uma boa parte desses recursos”, afirmou o presidente da SAP Brasil, Ruy Botelho, em entrevista aos jornalistas brasileiros presentes ao evento, em Orlando, nos Estados Unidos.

Botelho admitiu que o Brasil ainda está em uma jornada e não está tão próximo de ter uma organização no conceito de “empresa autônoma”, ou seja, uma empresa que tem uma plataforma de inteligência artificial unificando todos os seus dados para gerar valor ao negócio. “Nós temos ótimos clientes e parceiros. O brasileiro é aberto às mudanças. Mas temos de resolver a questão dos dados com qualidade. Os dados têm de estar organizados. Só assim será possível escalar o uso da IA em toda a companhia”, detalhou o CEO da SAP Brasil.

Segundo ele, os CIOs perceberam que os pilotos de IA isolados não trouxeram os resultados esperados porque esbarraram nos dados desorganizados. “Dado é complexo, Se restringir o acesso não há escala, mas se abrir demais há o risco da segurança, e em um negócio não pode haver riscos”, pontuou.

Indagado sobre o porquê de vários fornecedores estarem se definindo como “orquestradores de IA”, Botelho evitou falar dos concorrentes, mas disse que a SAP tem como diferencial possuir um mapeamento completo dos dados. “O ERP é o cérebro dos negócios”, insistiu, repetindo o mantra do CEO Christian Klein. No Brasil, afirmou, há clientes globais que estão se preparando para o conceito de empresa autônoma. “Nós vamos mapear aplicações SAP ou não SAP. Nós realmente estamos no modelo open, mas sem abrir mão da segurança e das certificações que a SAP possui”, relatou.

Sem revelar números, o CEO da SAP Brasil disse que hoje os clientes de cloud já superam os de ERP on premises na SAP Brasil. “E esses clientes terão direito a usar as ferramentas novas como a Joule 2.0, que será gratuita até dezembro”, relata. Provocado se a SAP será, de fato, uma empresa de IA, Botelho disse que a tecnologia chegou para transformar como aconteceu com a internet e com cloud computing.

Para Botelho, os sistemas vão continuar existindo, mas com a IA será possível pensar em processos que não existem ainda. “O software não vai morrer. Ele vai existir e evoluir, mas vai mudar porque os processos vão mudar. Para mim, é mais um passo de democratização da indústria de software, e a SAP se preparou para dar essa virada e ser uma empresa de software e uma empresa de IA”, completou.

Ana Paula Lobo viajou a Orlando a convite da SAP Brasil

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