É impossível ter soberania digital sem os analistas em tecnologia da informação. Assim se posiciona a Associação Nacional de Analistas de Tecnologia da Informação, ANATI, com relação ao parecer divulgado nesta quinta-feira, 18, pelo Tribunal de Contas da União advertindo para a escassez de ATIs no governo federal e o risco à oferta dos serviços digitais.
Segundo a ANATI, a maior responsável pela escassez de ATIs é a Secretaria de Gestão de Pessoas, do Ministério da Gestão e Inovação. De acordo com a entidade, a reestruturação da carreira proposta no governo Lula não foi baseada em estudos de carreiras com atribuições semelhantes das esferas da administração pública, o que manteve salários defasados para os ATIs e sem atrativos reais para atuação no setor público. A ANATI observa que os ATIs estão presentes em mais de 250 órgãos públicos e respondem por pelo menos R$ 8 bilhões de orçamento do governo.
“Sem ATIs não existe gestão de qualidade com quem realmente entende de TI. Muito mais precária será a fiscalização de TI, criando oportunidades e lacunas para a corrupção se instalar. Nesse cenário, a segurança da informação e dos ativos dos cidadãos brasileiros fica insuficiente e claro rompe a sustentação da soberania digital brasileira. Quem faz acontecer a interoperabilidade entre os órgãos federais, garante minimamente a segurança da informação dos órgãos e está no dia a dia da agenda de transformação digital do Estado são os ATIs. Sem eles, não haverá garantia de soberania digital”, pontua o presidente da ANATI, Luiz Alexandre.
Em 2025 o governo anunciou que reestruturou a carreira de ATIs e que deu aumento de 100% para a categoria, mas isso são puras falácias, observa Luiz Alexandre. Segundo ele, o governo abriu mais 450 vagas no Enem dos Concursos para contratação imediata e um cadastro de reserva com aproximadamente 1200 vagas. “Toda lista de aprovados foi esgotada, sim mais de 1200 candidatos receberam a ligação do governo, “implorando para ele vir para o cargo de ATI”, o resultado? Em 2025, 417 candidatos manifestaram interesse na vaga, mas só 181 finalizaram o Curso de Formação ofertado na ENAP e menos de 160 tomaram posse e estão efetivamente em exercício. Em pleno 2026, mais 594 manifestaram interesse, mas somente 270 fizeram o curso de formação, com expectativa de que em torno de 200 desses tomem posse, ainda em 2026. Importante destacar que o êxodo continua, e já há ATIs do concurso de 2025 deixando o governo por melhores salários e condições de carreira”, contou. Os demais, pontua a Anati, fizeram a formação ganharam certificado de pós-graduação, foram remunerados o estado investiu em formação, pessoas e meios para fornecer um Curso de Formação, mas recusaram a vaga em virtude das condições.
Uma das saídas para reduzir a carência de ATIs seria equiparar a tabela salarial às carreiras de executivos de TI do IPEA, do Banco Central, da CGU, do STN e do TCU, que têm competências e atribuições com a carreira dos ATIs, mas com salários que variam de R$ 20 mil iniciais a R$ 40 mil no final de carreira. Já os ATIs têm R$ 11 mil iniciais e depois de 20 anos podem chegar a R$ 21 mil. Por isso, ressalta a Anati, há um fracasso do cargo de ATI no Enem dos Concursos.
“É triste constatar que somente de 30% de todo os aprovados no concurso aceitaram o desafio de ser ATI nas condições atuais e que a grande maioria nem tomará posse. Infelizmente a Ministra Esther Dweck nunca recebeu a categoria de Analistas em Tecnologia da Informação, mas já recebeu outras associações e trata no dia a dia dela com assessores e secretários, que são membros de sindicatos e associações. E estamos falando dos ATIs que gerenciam a transformação digital e os pilares que constroem a soberania digital do nosso país, enquanto ela, seus chefes de gabinete e assessores viajam o mundo afora para falar das conquistas do trabalho destes servidores”, completa o presidente da ANATI.


