
Os provedores regionais precisam ampliar a oferta de serviços digitais para capturar valor sobre as redes de fibra e a base de clientes construídas nos últimos anos. A avaliação é de Breno Vale, diretor-presidente da Associação Brasileira de Provedores de Internet e Telecomunicações (Abrint).
“Os provedores regionais venceram a corrida da infraestrutura. Só que agora começa outra disputa: a disputa por capturar valor sobre a infraestrutura que já construímos”, afirmou nesta terça-feira, dia 11, durante o evento Segurança Digital e Serviços Gerenciados, promovido pelo Tele.Síntese, em São Paulo.
Segundo Vale, o mercado brasileiro reúne cerca de 19 mil empresas outorgadas e 56,6 milhões de acessos de banda larga fixa. A fibra óptica responde por aproximadamente 80% dessas conexões.
Depois do ciclo de expansão das redes, os ISPs enfrentam o desafio de diversificar as receitas em um ambiente marcado pela competição em preço e velocidade e pelo aumento dos custos operacionais, tributários e regulatórios. Uma das alternativas apontadas pelo executivo é elevar a receita média por cliente, o ARPU, por meio da incorporação de novas soluções ao portfólio.
“Ontem nós vendíamos acesso. Hoje a gente tem que vender experiência. E amanhã a gente tem que operar a vida digital do cliente”, disse.
Serviços gerenciados devem movimentar US$ 532 milhões
Dados da Grand View Research apresentados por Vale indicam que o mercado brasileiro de serviços gerenciados em telecomunicações movimentou cerca de US$ 472 milhões em 2025. A projeção é de que o valor chegue a US$ 532 milhões em 2026.
Para 2033, a estimativa se aproxima de US$ 1,47 bilhão, o que representa uma taxa média composta de crescimento de 15,6% ao ano.
Entre as soluções que podem ser incorporadas pelos provedores estão Wi-Fi gerenciado, segurança de rede, computação em nuvem, Internet das Coisas, backup, telefonia IP, proteção de dados, controle de acesso e monitoramento.
Vale também mencionou serviços de centros de operações de rede e de segurança, conhecidos pelas siglas NOC e SOC, além de infraestrutura de data centers. A IA foi apontada como uma frente ainda pouco explorada pelos provedores de menor porte.
Rede e relacionamento: a base da diversificação
Na avaliação do diretor-presidente da Abrint, os provedores já dispõem de ativos que podem sustentar essa expansão. Além da infraestrutura, as empresas possuem sistemas de cobrança, relacionamento com os clientes e presença nas regiões em que operam.
O movimento descrito por Vale ocorre em camadas. A construção da infraestrutura foi seguida pela oferta de conectividade. Agora, os provedores buscam agregar experiência, proteção e gestão aos serviços prestados.
A proximidade com consumidores, empresas e administrações municipais também pode ser utilizada para identificar demandas e oferecer soluções associadas à conexão. Com isso, o ISP passa a concentrar diferentes serviços digitais em uma mesma relação comercial.
Para Vale, a diversificação não elimina a importância da conectividade, mas acrescenta novas possibilidades de receita à infraestrutura existente. “A fibra foi a infraestrutura da expansão, sem dúvida nenhuma. Mas os serviços serão a infraestrutura do valor”, concluiu.
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