
Mais de oito em cada dez municípios brasileiros registraram melhora no Índice Brasileiro de Conectividade (IBC) entre 2024 e 2025. Dos 5.570 municípios avaliados, 4.614 (82,8%) avançaram no indicador, enquanto 956 (17,2%) apresentaram recuo. A nova edição do índice também aponta aumento da média nacional e uma distribuição mais homogênea da conectividade entre os municípios brasileiros.

Os resultados constam da análise do IBC 2025, publicada pela Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel). Esta é a primeira edição que permite acompanhar a evolução anual do indicador após a revisão metodológica promovida em 2024, possibilitando comparar o desempenho dos municípios ao longo do tempo e avaliar os efeitos das políticas públicas voltadas à expansão da infraestrutura de telecomunicações.
Média cresce; diferenças entre municípios diminuem
A média nacional do IBC passou de 52,40 pontos em 2024 para 55,35 pontos em 2025, em uma escala de zero a cem. A mediana também aumentou, indicando que a evolução ocorreu de forma disseminada entre os municípios e não apenas entre aqueles que já apresentavam melhores indicadores.

O estudo também verificou redução do desvio-padrão e do coeficiente de variação do índice. Segundo os autores, esses resultados indicam que a distribuição da conectividade tornou-se mais homogênea no período, apontando para uma redução, ainda que marginal, das desigualdades entre os municípios.
Entre os componentes do índice, a cobertura móvel apresentou a maior evolução. Mais de 92% dos municípios registraram melhora nesse indicador, desempenho superior ao observado nos demais componentes que integram o IBC.
Infraestrutura digital segue associada à renda
Embora a conectividade tenha avançado na maior parte do país, a análise conclui que a infraestrutura digital continua fortemente relacionada ao nível de desenvolvimento econômico dos municípios.
Para chegar a essa conclusão, a Anatel cruzou os resultados do IBC com o Produto Interno Bruto (PIB) per capita municipal e classificou os municípios brasileiros em quatro grupos, conforme o desempenho simultâneo nos dois indicadores. O maior deles reúne 2.010 municípios (36,1%), classificados como “Desenvolvidos”, que apresentam simultaneamente elevado Índice Brasileiro de Conectividade e PIB per capita acima da mediana nacional. Essas cidades concentram-se principalmente nas regiões Sul e Sudeste, além de áreas do Centro-Oeste.

O estudo também identificou um grupo formado por 983 municípios (17,6%), classificados como “Potencial”. Nessas localidades, o IBC está acima da mediana, mas a renda permanece abaixo do ponto de corte adotado pela pesquisa. Esse resultado indica que a infraestrutura digital, isoladamente, não é suficiente para elevar a renda sem fatores complementares, como qualificação da mão de obra, diversificação econômica e acesso a mercados.
Outra situação apontada envolve municípios com PIB per capita elevado, mas desempenho inferior no Índice Brasileiro de Conectividade. O relatório considera esses casos uma anomalia do ponto de vista do desenvolvimento digital e afirma que essas localidades podem se tornar prioridade para políticas públicas de expansão da infraestrutura de telecomunicações.
Norte e Nordeste concentram áreas mais críticas
A Anatel afirma que a desigualdade digital brasileira mantém forte componente territorial. A distribuição dos municípios classificados como críticos e desenvolvidos reproduz, em grande medida, as diferenças históricas de desenvolvimento entre as regiões Norte e Nordeste e as regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste.
O relatório conclui que políticas de universalização da conectividade tendem a produzir melhores resultados quando articuladas a estratégias mais amplas de desenvolvimento regional, de forma a reduzir as desigualdades territoriais observadas no acesso à infraestrutura de telecomunicações.
Índice passou por revisão metodológica
A possibilidade de comparação entre diferentes anos decorre da revisão metodológica realizada pela Anatel em 2024. A atualização incorporou a conectividade em áreas passíveis de uso agrícola, redefiniu os pesos das variáveis e estabeleceu novos critérios de normalização, permitindo que o IBC passasse a acompanhar a evolução da infraestrutura de telecomunicações ao longo do tempo.
O índice reúne indicadores de cobertura móvel, densidade de acessos móveis e de banda larga fixa, adensamento de estações rádio-base (ERBs), presença de redes de transporte em fibra óptica, competição nos mercados móvel e de banda larga fixa e conectividade em áreas rurais.
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