Vivo vê inteligência artificial como principal vetor da próxima geração das redes

A inteligência artificial deverá redefinir a forma como as operadoras projetam, operam e monetizam suas redes nos próximos anos. Essa é a avaliação de Rogério Takayanagi, vice-presidente de Engenharia e Serviços ao Cliente da Vivo.

Segundo o executivo, o setor vive uma nova transição tecnológica, comparável às mudanças provocadas pela privatização, pela expansão da banda larga e pela consolidação das operadoras. “Ter a infraestrutura não é mais o suficiente”, afirmou durante evento organizado pelo site Teletime, em São Paulo, nesta quinta-feira, 11.

Na visão do executivo, durante décadas o investimento em infraestrutura foi o principal motor de geração de valor no setor. Agora, o diferencial passa a ser a capacidade de incorporar inteligência às redes.

Redes mais inteligentes

Takayanagi afirmou que a IA altera a própria função das redes de telecomunicações. “Antes a rede era um enorme tubão que ajudava a conectar, e todo o diferencial vinha por funcionar excepcionalmente bem.”

Segundo ele, esse paradigma mudou. “Funcionar excepcionalmente bem não é mais um diferencial, é um mínimo obrigatório.”

A partir disso, as operadoras passam a competir por capacidade de personalização, adaptação e automação. “A inteligência das redes começa a permitir outro tipo de diferenciação, desde a customização do cliente, capacidade de resposta e capacidade de se adaptar.”

Planejamento da rede para 2030

A Vivo já trabalha em cenários para o final da década. Segundo Takayanagi, a companhia projeta forte crescimento das chamadas conexões não humanas. Entre as aplicações citadas estão carros conectados, drones, robôs e equipamentos autônomos.

Para ele, embora as receitas ainda estejam concentradas em nichos, essas aplicações terão impacto direto na arquitetura das redes. “As redes vão precisar se adaptar para absorver essa demanda.”

A Vivo já utiliza inteligência artificial em atividades de planejamento, implantação e operação. Segundo Takayanagi, sistemas de automação permitiram reduzir eventos operacionais em sua rede de transporte sem necessidade de expansão física da infraestrutura. “A gente diminuiu em 70% a quantidade de flaps e melhorou a qualidade sem investir um real em expansão de infraestrutura”, pontuou.

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