Vivo: falta de letramento digital, e não conectividade, é a maior barreira para avanço do 5G

A expansão da infraestrutura de telecomunicações no Brasil já não é o principal obstáculo para a inclusão digital. A avaliação é do CEO da Vivo, Christian Gebara. Durante conversa mediada pelo jornalista Samuel Possebon, no Painel Telebrasil 2026, que acontece hoje (19) e amanhã em Brasília, ele afirmou que o maior desafio do País atualmente é o letramento digital da população. “Cobertura não é problema. O problema é o letramento digital”, resumiu o executivo ao defender políticas públicas voltadas à capacitação e ao acesso.

Segundo Gebara, as operadoras já alcançaram praticamente toda a população brasileira com redes móveis. “Se considerarmos todas as operadoras, no 4G, chegamos a praticamente 100% da população. Em 5G, estamos em 70%”, pontuou. Ainda assim, milhões de brasileiros seguem desconectados. De acordo com o executivo, apenas 4% da população sem acesso alega ausência de cobertura. Outros 20% apontam o custo como barreira, enquanto uma parcela significativa simplesmente não vê utilidade ou não sabe utilizar plenamente os serviços digitais. “Mais de 50% da população não sabe editar um arquivo Word ou anexar um documento”, disse. “Não dá para querer ser um país digital sem tornar a internet mais acessível do ponto de vista de letramento.”

O CEO da Vivo reforçou o discurso da Telebrasil ao reafirmar a necessidade de rever a carga tributária do setor de telecomunicações. O executivo criticou o peso dos fundos setoriais e defendeu um reordenamento tributário para reduzir custos ao consumidor final. “Tentamos conscientizar sobre a necessidade de reduzir impostos para chegar a um preço justo e simétrico para todos”, afirmou.

A Vivo vem ampliando investimentos em infraestrutura de fibra e serviços digitais. Hoje, segundo Gebara, a operadora já possui 32 milhões de domicílios passados com fibra e cerca de 8 milhões de clientes conectados nessa tecnologia. A estratégia da empresa também passa pela diversificação dos negócios, com expansão para áreas como saúde, educação, cloud, cibersegurança e soluções B2B. “Estamos no início de uma jornada com enorme potencial de crescimento”, destacou. Para o executivo, as telecomunicações voltarão a exercer papel central como habilitadoras de uma nova onda tecnológica impulsionada pela inteligência artificial, assim como ocorreu com a internet no passado.

Gebara ressaltou que a IA já vem sendo utilizada pela Vivo tanto para ganho de eficiência operacional quanto para aprimorar a experiência do cliente. Entre os exemplos estão o uso da tecnologia para leitura automatizada de editais em operações B2B e sistemas capazes de prever falhas dentro da casa do cliente antes mesmo que elas ocorram. “As telecomunicações serão novamente as habilitadoras de transformações trazidas pela IA e 5G”, preconizou.

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