
A Vero encerrou o primeiro trimestre de 2026 com receita líquida consolidada de R$ 427 milhões, ligeiramente abaixo do registrado no mesmo período do ano anterior. Apesar da retração da base de assinantes de banda larga e do prejuízo líquido no trimestre, a companhia afirmou que os resultados ficaram dentro do planejado e refletem uma estratégia deliberada de priorização da rentabilidade, geração de caixa e monetização da base de clientes.
Segundo o CEO da empresa, Fabiano Ferreira, a operadora vem reduzindo o ritmo de aquisição de novos clientes para evitar disputas agressivas de preço no mercado de banda larga. “A gente não tem o foco aqui de fazer aquisição, o foco é trazer o cliente que vai gerar valor para a companhia ao longo do tempo”, afirmou.
A receita líquida caiu cerca de 1% na comparação anual, enquanto a base de assinantes de banda larga recuou aproximadamente 4,7%. Para a companhia, o descolamento entre os dois indicadores demonstra avanço na rentabilização da carteira de clientes.
O EBITDA ajustado ficou em R$ 220 milhões, com margem de 51,6%. A empresa destacou que o EBITDA contábil chegou a margem de 57,3%, mas esse resultado foi impactado por um efeito não recorrente relacionado ao estorno de contingência tributária em Minas Gerais.
Estratégia de convergência
A Vero afirmou que a principal alavanca de crescimento atualmente está na estratégia de convergência de serviços. O ARPU atingiu R$ 118,09 no trimestre, alta de 4,7% em relação ao ano anterior.
Segundo a companhia, aproximadamente 42% da base possui ao menos um produto adicional além da banda larga. Entre os clientes:
- 37% possuem serviços digitais premium;
- 13,4% têm serviço móvel;
- quase 9% já utilizam banda larga, móvel e serviços digitais simultaneamente.
No primeiro trimestre de 2025, cerca de 28% da base tinha mais de um produto contratado.
A operação móvel também segue crescendo. A Vero ultrapassou 336 mil clientes móveis no trimestre, crescimento de 68% na comparação anual. “O papel estratégico que a mobilidade tem dentro de todo esse ecossistema convergente da Vero” vem aumentando, afirmou Fabiano.
Lucro pressionado por efeito contábil
A companhia registrou prejuízo de R$ 8 milhões no trimestre, revertendo lucro de cerca de R$ 42 milhões obtido no primeiro trimestre de 2025.
Segundo a empresa, porém, o resultado positivo do ano anterior foi impactado por efeitos não recorrentes relacionados à renegociação e pré-pagamento de dívidas. “Se tiro o efeito dessa renegociação de dívida do primeiro trimestre de 2025, o nosso resultado daria um prejuízo muito próximo desse que a gente teve agora”, explicou o executivo.
A companhia reiterou que considera a geração de caixa operacional mais relevante que o lucro líquido neste momento, especialmente em um cenário de juros elevados.
O indicador EBITDA menos CAPEX cresceu 16,5% na comparação anual. O CAPEX total caiu 14%, movimento atribuído principalmente à redução do volume de novos assinantes adicionados à base.
O churn da companhia encerrou o trimestre em 2,1%. A meta da operadora é reduzir gradualmente esse índice para níveis próximos de 1,5% nos próximos anos. Segundo Fabiano, os clientes convergentes apresentam taxas de cancelamento significativamente menores.
M&A
A companhia descartou interesse na Oi Soluções neste momento. Segundo o executivo, o valuation e o perfil da operação não se encaixam na estratégia atual da empresa. “Oi Soluções não é algo que a gente se interessa nesse momento”, disse.
A Vero afirmou, porém, que segue avaliando oportunidades de aquisições menores, principalmente em serviços complementares ao atual portfólio.
O CEO afirmou esperar melhora gradual do desempenho comercial ao longo dos próximos trimestres, incluindo recuperação no ritmo de adição de assinantes de banda larga. A estratégia, contudo, continuará centrada na rentabilização da base e na expansão da convergência de serviços.
“A companhia fez uma escolha estratégica e nós estamos desempenhando bem essa escolha estratégica”, afirmou Fabiano.
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