O Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) deve anunciar, nas próximas duas semanas, um programa nacional de formação de mestres, doutores e pós-doutores em inteligência artificial. A informação foi antecipada ao Tele.Síntese por Luiz Alves, diretor de Inovação e Novos Negócios do Instituto Atlântico, na noite desta quarta-feira, 13, após o lançamento do Alia, Laboratório de Inteligência Artificial do Atlântico, em Fortaleza-CE.

Segundo Alves, o novo projeto será mais amplo que o modelo adotado no Alia e terá cobertura nacional. “As cinco regiões do Brasil vão ser cobertas, ou seja, vão ser selecionadas as universidades das cinco regiões do Brasil”, afirmou. Ele disse que o laboratório cearense funcionou como “um grande protótipo” para a construção desse modelo.
O executivo evitou detalhar valores e formato do programa antes do anúncio oficial. “Vou segurar mais um pouquinho essa informação […] a gente vai esperar o lançamento da ministra. Mas é um grande programa nacional para a formação de mestres, doutores e pós-doutores em inteligência artificial”, declarou.
Alia servirá de referência
O Alia foi inaugurado com R$ 15 milhões em investimentos, sendo R$ 13 milhões provenientes de edital da Finep, vinculada ao MCTI, e R$ 2 milhões do próprio Instituto Atlântico. A estrutura instalada na sede do instituto reúne GPUs, braços robóticos, robôs humanoides, drones, impressoras 3D, esteiras com sensores e servidores de computação de alto desempenho.
O laboratório foi concebido como hub de Pesquisa e Desenvolvimento para universidades, empresas, startups e instituições parceiras. A rede inicial envolve UFC, UECE, UFCA e UFAL. Para essa primeira fase, estão previstas 50 bolsas para alunos de graduação, mestrado e doutorado dessas universidades.
Alves associou a iniciativa à descentralização da infraestrutura científica. “A competência brasileira está espalhada em cinco regiões”, afirmou. Para ele, a articulação em rede é necessária porque o país não pode concentrar talentos e infraestrutura apenas no eixo Sul-Sudeste.
IA, indústria e soberania tecnológica
O laboratório terá foco em aplicações de IA para indústria, energia e TICs. Entre as linhas de pesquisa estão automação industrial, robótica, eficiência energética e Green AI, com desenvolvimento de algoritmos voltados à redução do consumo energético e ao uso mais eficiente de capacidade computacional.
Durante o evento, Alves afirmou que o Atlântico já contratou R$ 26 milhões em projetos de IA aplicada à indústria em 2026 e espera chegar a R$ 45 milhões até o fim do ano.
O representante do MCTI presente ao lançamento afirmou que o Plano Brasileiro de Inteligência Artificial busca desenvolver capacidades nacionais em tecnologias digitais. “IA não é só chat”, disse, ao destacar aplicações em automação e robótica.
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