
A Ligga Telecomunicações encerrou 2025 com prejuízo líquido de R$ 142,5 milhões, ante perda de R$ 15,8 milhões no ano anterior. A receita operacional líquida somou R$ 626,1 milhões, crescimento de 7% sobre 2024, enquanto o lucro operacional caiu 73%, de R$ 173,6 milhões para R$ 46,3 milhões.
O EBITDA ajustado ficou em R$ 317 milhões, alta de 2% sobre os R$ 309,6 milhões registrados em 2024. A margem EBITDA ajustada foi de 51%, ante 53% no exercício anterior. Já o lucro bruto recuou 14%, para R$ 254,3 milhões.
Custos e resultado financeiro pressionam balanço
Os custos dos serviços prestados subiram 28%, de R$ 291 milhões para R$ 371,9 milhões. As despesas gerais e administrativas chegaram a R$ 101,4 milhões, alta de 19%. O resultado financeiro ficou negativo em R$ 184,2 milhões, ante resultado também negativo de R$ 176,1 milhões em 2024.
As despesas financeiras somaram R$ 248,1 milhões, enquanto as receitas financeiras caíram 45%, para R$ 63,9 milhões. A companhia atribui parte do desempenho a ajustes operacionais, reestruturação e revisão de ativos fiscais.
Base de clientes cresce
No operacional, a Ligga encerrou dezembro de 2025 com 2,1 milhões de casas passadas e 333,7 mil acessos totais, avanço de 7%. Os acessos de banda larga somaram 287,3 mil, crescimento de 6%. A taxa de ocupação da rede ficou em 13,6%.
A companhia também informou o lançamento do Ligga Móvel em 2025, marcando sua entrada no Serviço Móvel Pessoal como MVNO. No varejo, a estratégia indicada pela empresa é combinar SCM, SMP e serviços de valor agregado.
Dívida líquida sobe para R$ 891,9 milhões
A dívida bruta caiu 3%, de R$ 1,241 bilhão para R$ 1,207 bilhão. A dívida líquida, porém, subiu 3%, para R$ 891,9 milhões, em razão da redução do caixa e das aplicações financeiras, que passaram de R$ 377 milhões para R$ 315,4 milhões.
As debêntures representavam R$ 1,141 bilhão ao fim de 2025. A 5ª emissão vence em setembro de 2030.
Venda para TecPar e espectro à Unifique
No resultado divulgado hoje, 14, a Ligga lembrou que assinou, em 20 de fevereiro de 2026, instrumento vinculante com a Brasil TecPar para alienação de ativos e passivos ligados às operações de internet banda larga por fibra. O valor total da operação é de R$ 495 milhões, sujeito a ajustes contratuais.
A conclusão depende de aprovações societárias, autorizações do Cade e da Anatel, além de anuência dos debenturistas. A TecPar também se comprometeu, condicionada à aprovação dos debenturistas, a assumir integralmente as obrigações relativas aos pagamentos da 5ª emissão de debêntures da Ligga.
A empresa também celebrou, em 27 de janeiro de 2026, acordo com a Unifique para venda da autorização de uso da faixa de 3,5 GHz no Paraná, adquirida no leilão do 5G. A transação é de R$ 20 milhões e foi aprovada pelos debenturistas em assembleia realizada em 27 de abril de 2026.
Auditoria faz ressalva
O relatório dos auditores independentes trouxe opinião com ressalva sobre aplicações financeiras em fundos multimercado de crédito privado, no total líquido de R$ 299,7 milhões. A auditoria informou que não conseguiu obter evidência apropriada e suficiente sobre o valor contábil desses investimentos.
Os auditores também chamaram atenção para incerteza relevante relacionada à continuidade operacional, em razão da reestruturação da companhia e da venda de ativos à Brasil TecPar.
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