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V.tal diz que continua neutra e que a ClientCo será segregada

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O acordo que a V.tal fechou com os credores da Oi para adquirir a ClientCo, caso não apareça nenhum lance satisfatório no leilão que será realizado judicialmente, foi costurado nos bastidores das negociações do plano de recuperação judicial aprovado na última semana. Trata-se de um compromisso entre agentes privados que não será levado à justiça pois, embora cite ativos da Oi, não foi firmado pela operadora, mas por interessados em encontrar saída operacional à empresa.

Mas depende da execução literal e sem soluços do plano de recuperação referendado por quase 80% dos credores, que aguarda homologação da Justiça.

Assim, a proposta é pagar um valor próximo dos R$ 7,3 bilhões desejados por Oi pela ClientCo. Mas não será o valor cheio, pois a V.tal já vai fazer um aporte de recursos dentro do plano de recuperação judicial.

Também não será em dinheiro. Haverá uma troca de ações, de forma que a Oi amplie o capital detido na V.tal – hoje em 32%. “É muito improvável que a Oi queira ou obtenha o suficiente para retomar o controle da V.tal”, observa uma fonte.

O plano de recuperação judicial aprovado prevê que a Oi possa trocar a ClientCo por ações, como o que é aventado para a solução com a V.tal. Ao mesmo tempo, de posse de 80% do capital da nova Oi, os credores que assinam o acordo garantem que o negócio gere dividendos futuros.

V.tal ainda será rede neutra?

Com isso, a V.tal deixa de ser rede neutra? Para a empresa, não. Procurada, afirma que essa carteira será isolada por meio de uma “ethical wall”, e o negócio não tem uma fisionomia diferente da atual, em que a ClientCo pertence à Oi, que por sua vez é uma sócia.

“A V.tal se comprometeu a aceitar com que esse grupo de credores passe a participação que eles têm hoje na ClientCo para dentro da V.tal e, com isso, passam a ter em troca uma participação maior na V.tal. E assim, a V.tal passa a ter participação na ClientCo, que será feito de forma segregada por meio de um ‘ethical wall’ – das demais operações, com separação de sistemas, gestão e governança. Importante reforçar que isso só vai acontecer se o processo de venda não for executado na primeira fase. Essa é uma opção para os credores na segunda fase”, diz em nota enviada a este noticiário.

Informa que segue neutra como é hoje: a “ethical wall” já existe e sempre foi peça fundamental da V.tal. É utilizada já para a base Oi Fibra. Mas também para todos os clientes, como TIM, Vero e Ligga, a fim de garantir que nenhum tenha visibilidade da concorrência que utiliza a infraestrutura neutra.

Movimento transitório?

No mercado, especula-se que o movimento também pode ser transitório, uma estratégia para garantir a entrada de capital na nova Oi (e pagamento a credores), ao mesmo tempo em que amplia prazos para negociações com interessados em adquirir a Oi Fibra.

Importante lembrar que a Oi recebeu dois tipos de propostas pela ClientCo na sondagem que fez ao mercado: obteve tanto resposta de interessados na carteira completa, nacional; como de interessados regionais, em busca de pedaços que complementem suas operações.

Mas as negociações destes casos, até o momento, são duras. “O valor justo para esse ativo deveria ser zero, pois a Oi deixa de ter custos relevantes em meio a sua situação, sem falar que será preciso renegociar os contratos de rede com a V.tal”, comenta uma fonte a par das conversas de venda da Oi Fibra.

“A empresa pede R$ 7 bilhões, o que é muito acima do que tem sido praticado em M&As do segmento”, diz outra. Numa conta rápida, tem-se que o valor é de cerca de R$ 1.825 por usuário, o que empresa leva cerca de dois anos para obter em receita com cada cliente.

Caso, portanto, a Oi não chegue a um denominador comum, há a carta da troca de ações com a V.tal, agora garantida e apoiada pelos credores que terão o controle da nova Oi.

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