Unifique diz que móvel deixou de ser dúvida e vê espaço para superar receita da fibra até 2030

Fabiano Busnardo, diretor-presidente da Unifique (crédito: Daniel Zimmermann)

A Unifique quer acelerar a operação móvel após a aquisição do controle da Amazônia 5G e a vitória no leilão da faixa de 700 MHz da Anatel. Durante a sessão de perguntas e respostas da teleconferência de resultados do primeiro trimestre de 2026, o CEO Fabiano Busnardo afirmou que a companhia superou os riscos técnicos da entrada no mercado móvel e passou a enxergar a vertical como uma das principais avenidas de crescimento da empresa.

“Há um ano atrás, duvidavam da nossa capacidade de fazer uma operação móvel competitiva, eu lhe garanto que essa dúvida não deveria mais de existir”, disse Busnardo. Segundo ele, a operação móvel da Unifique funciona “maravilhosamente bem” e já dá sinais de que poderá contribuir para a rentabilidade da empresa à medida que ganhar escala.

O executivo afirmou que a companhia está próxima do break-even da operação móvel, com pouco mais de 300 mil acessos, mas destacou que a estrutura foi desenhada para suportar “milhões e milhões de acessos”. A empresa encerrou o primeiro trimestre com cerca de 288 mil acessos móveis e receita de R$ 29,5 milhões no segmento, alta de 175% em relação ao mesmo período de 2025.

Móvel pode superar fixa até 2030

Busnardo disse que a Unifique ainda espera crescimento da operação fixa, mas não descarta que a receita móvel ultrapasse a da banda larga nos próximos anos.

“Não duvidem que em 2030 a gente possa estar faturando mais de móvel do que de fixa”, afirmou.

A confiança da companhia está apoiada em três frentes: avanço da cobertura própria, venda de combos fixo-móvel e expansão por meio de parcerias com ISPs. Segundo a empresa, 86% da base móvel está associada a clientes de banda larga fixa, enquanto 22,8% da base de banda larga já possui combo com telefonia móvel.

O CEO afirmou que a convergência ajuda a reduzir churn. A companhia encerrou o trimestre com churn de 1,49%. “Churn alto é destruidor de valor, churn baixo nos ajuda a construir um negócio muito mais sustentável e robusto”, disse.

700 MHz dá segurança à expansão

A conquista da faixa de 700 MHz em abril, no leilão da Anatel, foi apontada como decisiva para a estratégia. Busnardo afirmou que a frequência era “fundamental” para dar segurança econômica e competitiva à operação móvel no futuro.

Segundo ele, a empresa seguirá atendendo obrigações de cobertura em cidades do interior e rodovias, mas vê esses compromissos também como oportunidade comercial.

“Isso para nós não é obrigação, isso para nós é oportunidade”, afirmou. “Ali pode não ter tanto dinheiro como tem nos grandes centros, mas posso garantir aos senhores que tem algum dinheiro.”

A Unifique encerrou o trimestre com cobertura móvel própria em 166 cidades, sendo 102 em Santa Catarina e 64 no Rio Grande do Sul. Desse total, 128 municípios fazem parte das obrigações do edital do 5G e 38 têm mais de 30 mil habitantes.

Amazônia 5G amplia escala

Questionado sobre a entrada na Amazônia 5G, Busnardo destacou que o principal atrativo da operação está no estado de São Paulo. Ele afirmou que, ao considerar a região Sul do país e São Paulo, a empresa passa a atuar em uma área que concentra cerca de 50% do PIB brasileiro.

O executivo disse que a escala será determinante para diluir custos fixos da operação móvel. Segundo ele, a instalação de torres e ERBs ainda adiciona custos de locação, energia, manutenção e operação, mas a receita vem crescendo e tende a compensar esse efeito.

A companhia projeta faturamento de R$ 170 milhões com móvel em 2026 e R$ 300 milhões em 2027. Busnardo afirmou que a meta deste ano deve ser cumprida com pequena variação e que o resultado de 2027 pode ser favorecido pelas parcerias.

ISPs entram na estratégia móvel

A Unifique também pretende ampliar a atuação móvel por meio de parcerias com provedores regionais em localidades onde não possui rede fixa. Busnardo afirmou que a plataforma da companhia já está preparada para suportar esse modelo.

Segundo ele, as primeiras empresas parceiras foram ativadas no primeiro trimestre, ainda com volume modesto, de cerca de 3 mil chips. A expectativa é que a vertical ganhe ritmo nos próximos meses.

O executivo reconheceu que a empresa ainda vende poucos chips avulsos porque sua marca é associada principalmente à banda larga fixa. Por isso, a companhia trabalha para alterar a percepção do consumidor e comunicar que também oferece telefonia móvel.

Margem ainda será preservada

Apesar do avanço da operação móvel, Busnardo afirmou que a empresa seguirá calibrando a velocidade de implantação para preservar a rentabilidade. A vertical ainda pressiona margens, mas o CEO disse esperar que deixe de ser detratora do resultado até o final de 2026.

A Unifique registrou EBITDA ajustado de R$ 170,6 milhões no primeiro trimestre, alta de 27,7% na comparação anual, com margem de 51,9%.

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