
A Telebras encerrou o primeiro trimestre de 2026 com prejuízo líquido de R$ 89,5 milhões, ante resultado negativo de R$ 10,9 milhões no mesmo período de 2025. O desempenho ocorreu apesar do crescimento da receita operacional líquida, que chegou a R$ 134,9 milhões, alta de 17,9% na comparação anual.
Segundo as informações trimestrais da companhia, a expansão da receita foi puxada principalmente pelos reajustes contratuais e pela entrada de novos clientes. O Serviço de Comunicação Multimídia (SCM) respondeu por R$ 116,2 milhões da receita bruta, avanço de 15,7% sobre o primeiro trimestre de 2025. Já os Serviços de Valor Adicionado somaram R$ 11,2 milhões, mais que o dobro dos R$ 5 milhões registrados um ano antes.
A locação de capacidade satelital permaneceu estável em R$ 9,1 milhões, valor relacionado à cessão de capacidade ao Ministério da Defesa. A rubrica de aluguéis e locações, que inclui cabos ópticos, roteadores e infraestrutura satelital ligada ao contrato com a Viasat, caiu 5,1%, para R$ 6,2 milhões.
Custos crescem acima da receita
O principal fator de pressão no trimestre foi o aumento dos custos e despesas operacionais, excluídas depreciação e amortização. A linha somou R$ 157,7 milhões, alta de 34,1% sobre os R$ 117,7 milhões do primeiro trimestre de 2025.
Os custos de meios de conexão e transmissão subiram 45,6%, para R$ 52,5 milhões. A Telebras atribui o avanço à maior contratação de circuitos de Exploração Industrial de Linha Dedicada (EILD), usados para viabilizar conexões e atender à expansão da demanda.
As despesas com serviços de terceiros cresceram 35,6%, para R$ 51,3 milhões. A empresa relaciona a variação ao aumento dos custos de manutenção e instalação de equipamentos satelitais, além da diversificação da base de fornecedores para além da Viasat.
EBITDA fica negativo
O EBITDA ajustado foi negativo em R$ 13,6 milhões no primeiro trimestre, revertendo resultado positivo de R$ 74,1 milhões um ano antes. A margem EBITDA ajustada ficou negativa em 10%, contra margem positiva de 64,8% no primeiro trimestre de 2025.
A companhia atribui a piora ao descompasso operacional, com custos e despesas crescendo mais que as receitas, e à queda das subvenções orçamentárias. As subvenções recebidas recuaram de R$ 77,6 milhões para R$ 7,2 milhões no período.
Sem o efeito das subvenções, o EBITDA ajustado teria ficado negativo em R$ 20,7 milhões, ante déficit de R$ 3,4 milhões no mesmo intervalo de 2025.
Caixa supera dívida bruta
Apesar do prejuízo, a Telebras encerrou março com dívida líquida negativa de R$ 555,1 milhões. Isso significa que caixa e aplicações financeiras superavam a dívida bruta. O valor compara-se a R$ 540 milhões em dezembro de 2025 e R$ 283,6 milhões em março de 2025.
A dívida bruta caiu 84,6% em base anual, para R$ 20 milhões. O caixa e equivalentes de caixa encerraram o trimestre em R$ 738,3 milhões.
Os investimentos em bens de capital somaram R$ 8,7 milhões no primeiro trimestre, contra R$ 6,6 milhões um ano antes.
Contrato de gestão
Nas notas explicativas, a Telebras informa que celebrou, em setembro de 2025, contrato de gestão com o Ministério das Comunicações para implementar o Plano de Sustentabilidade Econômico-Financeira. O objetivo é regular a transição da companhia para o regime de empresa estatal não dependente.
Com o contrato, a estatal passou a dispor de autonomia orçamentária e financeira, deixando de integrar o Orçamento Fiscal e da Seguridade Social da União. A empresa, porém, permanece classificada como estatal dependente até a conclusão do processo de transição.
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