TCU: Governo digital está em risco com a escassez de analistas de TI

Faltam analistas de tecnologia da informação no governo e essa escassez de mão de obra é um risco para a oferta dos serviços digitais, alerta o Tribunal de Contas da União. Em decisão aprovada no âmbito do processo TC 007.353/2024-3, publicada nesta quinta-feira, 18/6, no Diário Oficial da União, o relator ministro Odair Cunha, do Tribunal de Contas da União, recomendou ao Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos, por intermédio da Secretaria de Gestão de Pessoas, em articulação com a Secretaria de Governo Digital, a implementação de ações concretas e eficazes que visem superar os desafios relacionados à falta de atratividade da carreira de Analista em Tecnologia da Informação no governo Federal.

O parecer diz que a SGI deve considerar “a assimetria remuneratória existente entre os ocupantes dessa carreira e profissionais equivalentes da Administração Pública e do mercado privado, com vistas a possibilitar o aumento da retenção de profissionais qualificados e da ocupação dos cargos disponíveis, de forma a contribuir para o fortalecimento da área de tecnologia da informação no setor público e para a melhoria da qualidade, da segurança e da continuidade dos serviços digitais prestados à sociedade”. Vale lembrar que o TCU fez o mesmo alerta para as universidades públicas.

O alerta do Tribunal de Contas da União ganha fôlego quando o governo federal amplifica os investimentos em inteligência artificial, computação em nuvem, segurança cibernética, interoperabilidade de dados e digitalização de serviços públicos. Projetos como o Gov.br, as plataformas de identidade digital, os sistemas de compartilhamento de dados entre órgãos e as iniciativas de transformação digital dependem diretamente da atuação de profissionais especializados em tecnologia. Os próprios analistas de TI denunciaram a falta de mão de obra especializada.

A decisão do TCU chama atenção porque o tema vem sendo acompanhado pelo órgão de controle há mais de uma década. O processo monitorado tem origem em auditorias iniciadas em 2013 e resultou em acórdãos emitidos em 2014 e 2017. Agora, ao encerrar o acompanhamento dessas decisões anteriores, o TCU deixa claro que o problema não foi solucionado e abre um novo ciclo de monitoramento focado especificamente na atratividade da carreira de tecnologia.

O Enem dos Concursos abriu 417 vagas, que demoraram a ser preenchidas por conta dos salários, muito abaixo dos praticados no mercado privado. O governo até tentou minimizar a ausência de interesse nos cargos de TI no setor público. Promoveu uma ampla reestruturação da carreira por meio da Lei nº 14.875, de 2024. A medida transformou a remuneração em subsídio e elevou os vencimentos da categoria. Com a reestruturação, a remuneração inicial passou para pouco mais de R$ 11 mil e o topo da carreira deverá ultrapassar R$ 21 mil em 2026. O Ministério da Gestão também ampliou a oferta de vagas por meio do Concurso Público Nacional Unificado e autorizou a criação de novos cargos para reforçar a capacidade técnica dos órgãos federais. Mas a situação não foi revertida e o alerta do TCU deixa bem claro que é preciso mais ações.

A recomendação do TCU foi encaminhada à Secretaria de Governo Digital e à Secretaria de Gestão de Pessoas, ambas do Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos, ao Ministério Público Federal, ao Ministério Público do Trabalho, ao Ministério Público do Distrito Federal e Territórios, ao Ministério Público Militar, à Escola Superior do Ministério Público da União e ao Conselho Nacional do Ministério Público cópia da presente deliberação, para conhecimento.

Tags

Compartilhe

Vivo se alia ao Google para levar a IA Gemini gratuita para o B2C por até 12 meses
Vero anuncia Tatiana Medina como diretora de transformação digital
Vero anuncia Tatiana Medina como diretora de transformação digital
Vivo faz parceria com Google para incluir Gemini gratuito em planos
Vivo faz parceria com Google para incluir Gemini gratuito em planos
5G responde por metade de todo o tráfego móvel global, diz Ericsson
5G responde por metade de todo o tráfego móvel global, diz Ericsson
TCU: Governo digital está em risco com a escassez de analistas de TI
Veja no Boletim TELETIME: fracasso da Oi Soluções e futuro da Nio
Veja no Boletim TELETIME: fracasso da Oi Soluções e futuro da Nio
Plano de Inclusão Digital virá com parcerias com diferentes órgãos, diz ministro
Plano de Inclusão Digital virá com parcerias com diferentes órgãos, diz ministro
TIM vai distribuir R$ 400 milhões em juros sobre capital próprio
TIM vai distribuir R$ 400 milhões em juros sobre capital próprio
TIM elege Luciene Pandolfo como nova diretora jurídica
TIM elege Luciene Pandolfo como nova diretora jurídica
STF finaliza tese em julgamento do Marco Civil da Internet
STF finaliza tese em julgamento do Marco Civil da Internet