
O 5G ultrapassou a marca de 3 bilhões de assinaturas no mundo e já responde por metade de todo o tráfego móvel global. Para a Ericsson, entretanto, os números representam mais do que a consolidação da tecnologia: indicam o início de uma nova fase para as operadoras, em que o desafio deixa de ser expandir cobertura e passa a ser monetizar as redes por meio de serviços diferenciados, aplicações de inteligência artificial (IA) e redes 5G Standalone (SA).
Segundo o Ericsson Mobility Report de junho de 2026, as assinaturas 5G alcançaram 3,1 bilhões no primeiro trimestre deste ano, com a adição de 162 milhões de novos acessos no período. Ao final de 2025, a tecnologia já representava um terço das assinaturas móveis globais e transportava cerca de 50% de todo o tráfego de dados das redes celulares. A expectativa é que esse número alcance 6,4 bilhões de assinaturas até 2031, o equivalente a dois terços de todos os acessos móveis no mundo.

Na avaliação da fabricante, essa evolução abre espaço para uma mudança no modelo de negócios das operadoras. Em vez de competir apenas por velocidade e cobertura, os provedores passam a explorar ofertas baseadas em qualidade garantida de serviço, baixa latência, segurança e desempenho específico para diferentes aplicações.
Da cobertura à conectividade diferenciada
O avanço do 5G Standalone e do network slicing permite transformar a rede móvel em uma plataforma capaz de entregar níveis distintos de conectividade conforme a necessidade de cada usuário ou aplicação.
Hoje, cerca de 390 operadoras já lançaram serviços comerciais de 5G em todo o mundo, das quais mais de 90 operam redes SA. Essa arquitetura possibilita criar fatias virtuais da infraestrutura física, configuradas com diferentes parâmetros de latência, disponibilidade, largura de banda e confiabilidade.
Segundo a Ericsson, essa capacidade deverá sustentar aplicações industriais, manufatura avançada, realidade estendida (XR), colaboração remota, redes privadas e serviços críticos que exigem desempenho previsível.
IA muda o desenho das redes móveis
A principal transformação apontada pelo relatório está relacionada ao avanço da inteligência artificial. A empresa afirma que a evolução da IA generativa, dos agentes autônomos e da chamada IA física, embarcada em robôs, veículos, sensores e dispositivos inteligentes, altera significativamente o perfil de utilização das redes móveis.
Até agora, a maior parte do tráfego celular era concentrada em downloads de vídeo e conteúdo. Com aplicações de IA distribuídas entre dispositivos, borda (edge computing) e nuvem, cresce a necessidade de comunicações em tempo real, elevando principalmente a demanda por capacidade de uplink, menor latência e processamento distribuído.
Esse movimento também impulsiona o desenvolvimento de novos dispositivos conectados. O relatório cita os smartglasses como uma das primeiras categorias desenhadas para operar continuamente com recursos de IA, incorporando conectividade 5G RedCap nos próximos anos e servindo como uma ponte para a futura adoção do 6G.

Mercado corporativo amplia investimentos
A mudança de arquitetura também alcança o mercado empresarial. Pesquisa realizada pela Ericsson com grandes empresas da América do Norte, Europa e Ásia mostra que apenas 8% já escalaram plenamente projetos de IA, mas 80% pretendem ampliar investimentos em conectividade móvel para viabilizar sua transformação digital.
Na avaliação dos entrevistados, segurança (78%), confiabilidade (72%) e largura de banda (67%) são os principais atributos exigidos para aplicações de IA. Entre os casos de uso com maior potencial estão monitoramento de ativos, automação industrial, colaboração corporativa, atendimento ao cliente e dispositivos conectados.
FWA segue como principal vetor de receitas
Enquanto aplicações empresariais evoluem, o acesso fixo sem fio (FWA) continua sendo a principal iniciativa de monetização das redes 5G. Cerca de 71% dos provedores que oferecem FWA já utilizam redes 5G, participação que era de 57% um ano antes. A Ericsson projeta que o número de conexões FWA chegará a aproximadamente 350 milhões até 2031, consolidando essa tecnologia como uma das principais alternativas para expansão da banda larga fixa em mercados onde a fibra óptica ainda não alcança toda a população.

6G começa a entrar na agenda
Embora o foco do setor permaneça na expansão do 5G SA, a Ericsson informa que os trabalhos de padronização do 6G já estão em andamento.
As primeiras especificações implementáveis devem ser concluídas entre o fim de 2028 e o início de 2029, permitindo lançamentos comerciais a partir de 2030. A nova geração deverá incorporar IA nativa, integração entre redes terrestres e satelitais, sensoriamento integrado às comunicações e ganhos de eficiência energética. A previsão inicial é de 180 milhões de assinaturas 6G em 2031.
O post 5G responde por metade de todo o tráfego móvel global, diz Ericsson apareceu primeiro em TeleSíntese.


