Segundo operadoras, densificação do 5G esbarra no custo dos sites

5g no brasil

A necessidade de ampliar a densidade das redes móveis para suportar a evolução do 5G e das futuras gerações de conectividade esbarra em um obstáculo crescente: o custo de ocupação dos sites, dizem as operadoras.

O tema dominou parte do debate entre executivos da Vivo, Claro e V.tal durante painel sobre o futuro das redes móveis, nesta quinta, 11, realizado em São Paulo pelo site Teletime.

Na avaliação dos participantes, o setor precisará instalar mais equipamentos, aumentar a capacidade das redes e expandir a cobertura em áreas urbanas e rodovias. Ao mesmo tempo, cresce a pressão financeira associada ao aluguel de infraestrutura, à ocupação de imóveis e aos contratos de exclusividade firmados em locais estratégicos.

Para Rogério Takayanagi, vice-presidente de Engenharia e Serviços ao Cliente da Vivo, a expansão das redes exigirá um aumento expressivo na quantidade de sites. O problema, disse, é que as operadoras já enfrentam limitações para ampliar os gastos recorrentes com aluguel de infraestrutura. “Não tem mais espaço para crescer leasing”, observou.

O executivo observou que investidores e analistas passaram a acompanhar com atenção crescente o peso desses contratos nos resultados das operadoras. Na sua avaliação, o mercado precisará encontrar formas de acomodar o crescimento da infraestrutura sem elevar proporcionalmente os custos de ocupação. E avisou: “O volume de dinheiro disponível para pagar por site não vai subir”.

Críticas às exclusividades

Takayanagi também criticou a prática de aquisição de exclusividades em aeroportos, shoppings, rodovias e outros empreendimentos. Segundo ele, algumas empresas de infraestrutura pagam valores elevados para obter acesso exclusivo a determinados ativos e posteriormente repassam esses custos às operadoras. “Tem aeroporto no Brasil que não tem cobertura 5G porque custa caro demais”, resumiu. O executivo afirmou que o setor precisa evitar incentivar esse modelo.

Na comparação feita por Takayanagi, em alguns países a conectividade é tratada como um serviço essencial para valorização dos empreendimentos. No Brasil, segundo ele, frequentemente ocorre o contrário: a operadora é quem precisa arcar com custos adicionais para prestar o serviço.

Claro também vê pressão crescente

O CTO da Claro, André Sarcinelli, também chamou atenção para o avanço dessa dinâmica. Segundo ele, o mercado imobiliário passou a enxergar a infraestrutura de telecomunicações como uma nova fonte de monetização. “Todo o mercado imobiliário está entendendo que telecom é uma fonte de receita”, comentou.

O executivo citou metrôs, shopping centers e edifícios corporativos como exemplos de ambientes em que as operadoras enfrentam custos crescentes para instalar equipamentos e ampliar cobertura. “O nosso custo de poder entrar num lugar desse deveria ser visto como um serviço essencial”, criticou.

Para Sarcinelli, a pressão é ampliada por outros fatores que afetam as operadoras, como aumento do consumo energético, necessidade de modernização tecnológica e expansão contínua da infraestrutura.

V.tal tenta aproximar operadoras e proprietários

Na visão de Lucas Aliberti, CCO da V.tal, parte da solução passa pela ampliação dos modelos de infraestrutura compartilhada.

A empresa vem expandindo sua atuação em aeroportos, metrôs, hospitais e shopping centers justamente para reduzir a complexidade da implantação de redes móveis nesses ambientes. “A gente tem ajudado bastante as operadoras a educar um pouco esse mercado”, opinou.

Segundo o executivo, muitos proprietários ainda focam apenas na remuneração obtida com aluguel ou cessão de espaço, sem considerar o impacto da qualidade da conectividade sobre a experiência dos usuários.

“A gente ajuda a mostrar que o que ele ganha com a rede é maior do que o que ele ganha com o aluguel do solo”, comentou, lembrando que sinal bom em um shopping tende a aumentar a chance de o cliente retornar ao local.

Aliberti afirmou que a V.tal tem estruturando modelos que permitam compartilhar infraestrutura entre múltiplas operadoras e reduzir a necessidade de investimentos duplicados.

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