O sonho acabou (e não foi o da padaria) – The Brief #01/02

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O sonho acabou

O home office está cada vez mais com os dias contados. Grandes empresas como Amazon, AT&T, JPMorgan e Dell eliminaram políticas híbridas e agora exigem que funcionários trabalhem presencialmente cinco dias por semana. A justificativa é que a colaboração presencial melhora a produtividade e fortalece a cultura corporativa, mas a decisão tem gerado resistência, com funcionários protestando contra a medida e, em alguns casos, até sendo demitidos por não cumprirem a nova regra.

A pressão pelo retorno ao escritório se espalhou por diversos setores. Empresas como Meta, Google, Apple e Starbucks reforçaram a fiscalização do comparecimento, incluindo rastreamento de presença e impacto na avaliação de desempenho. CEOs que antes apoiavam o trabalho remoto mudaram de tom, alegando que a interação presencial é essencial para inovação e crescimento. No setor financeiro, Goldman Sachs, Citigroup e BlackRock já exigem presença quase total dos funcionários.

Apesar das reclamações, a tendência só cresce. Empresas como Zoom e Uber, que se beneficiaram diretamente da era do home office, também aderiram ao movimento, obrigando funcionários a voltar ao escritório em parte da semana. A decisão reflete uma mudança no mercado, onde a flexibilidade do trabalho remoto está sendo trocada por uma estrutura mais rígida — e, para muitos, mais tradicional.

Revolucionária e frágil

A DeepSeek pode ter balançado o mercado de IA com seu modelo barato e eficiente, mas sua segurança está longe de acompanhar o hype. Pesquisadores da Cisco e da Universidade da Pensilvânia testaram 50 prompts maliciosos no modelo R1 e conseguiram 100% de sucesso em burlar suas proteções. Isso coloca a empresa chinesa bem atrás de rivais como OpenAI e Meta em termos de barreiras contra desinformação, discurso de ódio e crimes cibernéticos.

O estudo revelou que o DeepSeek R1 é altamente vulnerável a técnicas conhecidas de jailbreak, permitindo que usuários contornem restrições e obtenham respostas perigosas. O modelo também mostrou dificuldades em detectar ataques baseados em caracteres ofuscados, como os escritos em cirílico. Embora todas as IAs estejam suscetíveis a falhas de segurança, a falta de investimento da DeepSeek em proteção levanta preocupações sobre sua aplicação em sistemas críticos.

Especialistas alertam que o problema não é exclusivo do DeepSeek, mas um desafio constante para o setor. Alex Polyakov, CEO da Adversa AI, ressalta que eliminar esses ataques completamente é quase impossível, e que empresas que não fazem “red-teaming” contínuo — ou seja, testes de segurança para identificar falhas — já estão comprometidas.

Desiludidos

A Geração Z continua grudada nas telas, mas cada vez menos iludida pelas big techs. Um novo relatório da Common Sense Media aponta que menos de 10% dos adolescentes acreditam que as empresas priorizam seu bem-estar, e 70% exigem mais transparência sobre o uso de IA. Deepfakes e desinformação são preocupações centrais, e muitos já questionam a veracidade do que veem online.

Além da IA, a privacidade também está no radar. Apenas 15% dos jovens confiam que suas informações estão seguras nas redes sociais, o que tem levado a estratégias defensivas, como o uso de contas descartáveis e a migração para plataformas menos comerciais, como o Discord. O modelo de algoritmos que priorizam engajamento em vez de bem-estar também gera desconfiança crescente.

Diante desse cenário, os adolescentes não estão apenas reclamando, mas se tornando consumidores mais críticos. Eles adotam checagem de fatos, buscam plataformas mais transparentes e cobram regras para a autoria de conteúdos criados com IA. Para as big techs, fica o alerta: se não se adaptarem, podem perder uma fatia importante desse público cada vez mais desconfiado.

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