O país está preparado para o desligamento das redes 2G e 3G?

O país está preparado para o desligamento das redes 2G e 3G?

O país está preparado para o desligamento das redes 2G e 3G?

As redes de tecnologia 2G e 3G ainda garantem a telefonia móvel em algumas cidades do país e, principalmente, são utilizadas pelo mercado de rastreamento e de pagamento no país. O impacto do desligamento dessas redes, que vem sendo discutido pela Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), gera debates, como o que aconteceu nesta terça-feira, 12 de novembro, em painel do IoT e as Redes Privadas, evento realizado pelo Tele.Síntese, em São Paulo.

“A rede 3G consome dez vezes menos energia que a rede 2G e dez vezes mais que a 4G. O bit transmitido em 4G é 100 vezes mais eficiente em termos de energia. Por um lado tem a eficiência energética, que cada vez mais pesa, por outro lado, tem milhões de brasileiros que utilizam dispositivos IoT”, disse Wilson Cardoso, diretor da área de Telecomunicações da Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica (Abinee).

Dos 20 milhões de dispositivos utilizados no rastreamento veicular e em serviços de pagamento, um estudo da operadora móvel virtual (MVNO) Links Field estima que 12 milhões são conectados via 2G e 3G. A migração desses dispositivos de Internet das Coisas e comunicação máquina a máquina (IoT/M2M) para tecnologias mais modernas deve ter um custo de R$ 10 bilhões até 2028, de acordo com o estudo. “Quem vai pagar por isso é o usuário que está na ponta”, afirmou Thiago Rodrigues, sócio-fundador e diretor-geral da Links Field.

Charles Abreu, diretor de Engenharia do PagBank, avalia que, no mercado de maquininhas de cartão, o desafio de substituição dos equipamentos com as tecnologias 2G e 3G tem como desafio a questão econômica.

Em 2015, o PagBank lançou uma versão de baixo custo das maquininhas para serem vendidas, em vez de alugadas, para os empreendedores. Outras empresas também seguiram o modelo. “Houve uma democratização do acesso a esses meios de pagamento”, contou.

No entanto, a maioria das maquininhas de baixo custo, feitas exclusivamente para pagamentos, só suporta 2G. Abreu acredita que metade das maquininhas atualmente no mercado utilizam 2G ou 3G, motivo pelo qual ele considera que a saída das tecnologias pode impactar os micro e pequenos empreendedores.

“O adquirente não tem como disponibilizar uma máquina gratuitamente para o pequeno empreendedor e este não tem capacidade para pagar o aluguel. A gente tem um problema aqui”, afirmou.

O PagBank e outras empresas lançaram aplicativos que transformam o celular em maquininhas para receber pagamentos com cartão. Mas a solução exige um aparelho 4G e com tecnologia NFC (Near Field Communication).

Usuários da telefonia móvel

Jesaias Arruda, vice-presidente da Associação Brasileira de Internet (Abranet), comparou o desligamento das redes 2G e 3G à migração da TV analógica para a digital. “Passamos 12 anos com programas de apoio específicos, doação de antenas, para ver se conseguia arrastar, até a hora em que se desligou. O que vai acontecer com a telefonia celular será a mesma coisa”, disse.

Ele destacou que cidades com mais de 100 mil habitantes contam com 4G ou até com 5G. Mas há muitas cidades pequenas que ainda dependem das tecnologias anteriores. “40 dos 62 municípios do Amazonas só tem 2G ou 3G ”, observou.

Felipe Roberto de Lima, gerente de Regulamentação da Anatel, que também participou do evento do Tele.Síntese, afirmou que o desligamento das redes 2G e 3G deve acontecer “no prazo mais rápido possível”, mas não de forma abrupta.

“Temos que nos preocupar com essa questão do ponto de vista de caminhar bem para o desligamento dessas tecnologias, mas não acredito que isso venha de maneira abrupta. Assim, geraria mais problemas do que benefícios”, afirmou o regulador.

Vale lembrar que, a partir de 6 de abril de 2025, novos equipamentos 2G ou 3G devem também ser compatíveis com tecnologias 4G ou superiores, caso contrário não serão homologados pela Anatel.

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