O novo mapa da economia digital

Luiz Portela OMNIA

Por Luiz Portela* – Durante décadas, discutimos no Brasil como atrair indústrias intensivas em tecnologia, elevar a complexidade da nossa economia e gerar empregos mais qualificados. Isso é um tema em todas as regiões, embora em um país com dimensões continentais encontramos realidades diferentes em termos de oportunidades de acesso a mercados de tecnologia e inovação. E hoje o Ceará tem a oportunidade concreta de responder a esta agenda com um projeto transformador: a implantação do Data Center Pecém, desenvolvido pela OMNIA, em uma estrutura que nasce inserida em um ambiente extremamente inovador e singular em termos de geração e uso de energia renovável, conectividade internacional e vocação exportadora.

Não se trata apenas de construir um grande ativo imobiliário-tecnológico. Mas, sim, de criar espaço que pavimenta ainda mais a posição do Ceará em uma nova fronteira econômica. O mundo vive uma expansão acelerada da demanda por processamento de dados, inteligência artificial, serviços em nuvem, cibersegurança e aplicações digitais de missão crítica. Nesse cenário, regiões capazes de reunir energia limpa em escala, segurança regulatória, conectividade robusta e capacidade de execução passam a disputar investimentos que antes se concentravam em poucos polos globais. E a região do Pecém reúne exatamente esses atributos.

O Ceará, então, deixou de ser “promissor” neste debate para solidificar como uma realidade, com fundamentos concretos. A capital Fortaleza é, atualmente, o segundo maior ponto de troca de tráfego de internet do Brasil, e o Estado avança na ampliação do Cinturão Digital para 400 Gbps em 2026 – isso significa dobrar a capacidade de transmissão de dados da rede no Ceará para suportar a demanda de tráfego de dados. Somado a Zona de Processamento de Exportação (zona tributária especial chamada de ZPE), da chegada dos cabos submarinos internacionais, da disponibilidade de energia renovável e da posição geográfica favorável para conexão internacional, isso cria uma base rara no país para sustentar um ecossistema de economia digital de alta densidade tecnológica.

É por isso que o debate sobre esse investimento precisa ser feito na escala correta. Um data center de hiperescala não gera impacto apenas dentro dos seus muros. Ele induz cadeias produtivas, cria demanda por engenharia, automação, montagem eletromecânica, sistemas elétricos, refrigeração, segurança, logística, manutenção especializada, desenvolvimento de software, monitoramento e serviços técnicos avançados. Os primeiros fornecedores cearenses já começaram a ser contratados na fase inicial da implantação, e a própria execução faseada do projeto, desenvolvida pela OMNIA, foi desenhada para ampliar a participação de agentes regionais ao longo do tempo.

Esse é um ponto importante: a economia digital não se resume a empregos em tecnologia da informação. Ela também reorganiza o mercado de trabalho ao criar uma demanda nova por ocupações técnicas, industriais e operacionais de maior valor agregado. As estimativas para o projeto estão no patamar de milhares de empregos diretos e indiretos só nesta fase na construção, mas há de se criar uma base permanente de operação. O efeito mais importante, contudo, vai além do número imediato de vagas. O que está em jogo é a formação de uma camada do mercado de trabalho no Ceará, com reforço de um tipo de nova mão de obra mais preparada para atuar em infraestrutura crítica, energia, automação e serviços especializados.

Por isso, defender esse projeto é também defender uma agenda de qualificação. O Ceará pode (e isso é algo que vem sendo trabalhado diretamente em conjunto com OMNIA) usar esta oportunidade para acelerar parcerias com universidades, escolas técnicas, centros de pesquisa e programas de capacitação orientados a várias funções importantes: eletricistas, montadores mecânicos, operadores, especialistas em manutenção, técnicos de redes, profissionais de energia e gestores de várias áreas.

Há ainda outro aspecto decisivo: a mensagem que o Ceará envia ao Brasil e ao mundo. Ao sediar um projeto dessa magnitude, o Estado prova que pode competir na economia global com ativos tradicionais e com infraestrutura digital da próxima geração. Isso reforça a imagem do Pecém como plataforma de exportação de serviços, atrai novos investimentos complementares e reduz a distância entre o Brasil e os principais centros de inovação do planeta. Em vez de assistir de fora à transformação digital, o Ceará passa a participar na linha de frente.

É importante dizer, ainda, que desenvolvimento de longo prazo exige responsabilidade. Desde o início, o projeto foi concebido com premissas de eficiência hídrica e energética, uso de energia renovável, licenciamento ambiental e gestão socioambiental compatível com a relevância da área onde está inserido. Sustentabilidade, aqui, não é um complemento discursivo: é uma condição estrutural de viabilidade e competitividade. Em um setor que será cada vez mais cobrado por desempenho ambiental, nascer com esse compromisso é uma vantagem estratégica para o Ceará.

O Brasil discute com frequência como interiorizar oportunidades, diversificar sua base produtiva e abrir espaço para empregos melhores. O Data Center Pecém oferece uma resposta concreta a estas agendas. E tem potencial para impulsionar o desenvolvimento do entorno do Pecém, fortalecer a economia cearense e inserir o Estado em um mercado que definirá a competitividade das nações nas próximas décadas. A verdadeira dimensão desse investimento está na possibilidade de o Ceará (e o Brasil) se afirmar como um dos lugares onde o futuro da economia digital começa a ser construído agora.

Luiz Portela é Diretor de Novos Negócios da OMNIA Data Centers

O post O novo mapa da economia digital apareceu primeiro em TeleSíntese.

Tags

Compartilhe

ANPD inicia fiscalização de sites pornográficos para verificar controle de acesso de menores
ANPD inicia fiscalização de sites pornográficos para verificar controle de acesso de menores
Alares vai às compras e se torna 2º maior provedor de Internet de São Paulo
O novo mapa da economia digital
O novo mapa da economia digital
Após disputa com Claro, Anatel revela acessos das MVNOs credenciadas no Brasil
Após disputa com Claro, Anatel revela acessos das MVNOs credenciadas no Brasil
O gigantesco e desconhecido volume de acessos informais no SCM
O gigantesco e desconhecido volume de acessos informais no SCM
Laboratório de Inteligência Artificial do Governo vai ativar banco de reuso de soluções no 2º semestre
Laboratório de Inteligência Artificial do Governo vai ativar banco de reuso de soluções no 2º semestre
USP tem curso gratuito de inteligência artificial para professores da educação básica
IA agêntica acelera adoção de serviços gerenciados, aponta KPMG
IA agêntica acelera adoção de serviços gerenciados, aponta KPMG
Anatel mantém divulgação de dados de MVNOs credenciadas
Anatel mantém divulgação de dados de MVNOs credenciadas
Coalização de apps critica Apple por penalizar desenvolvedores e impedir competição no Brasil