Judicialização cai e média salarial do setor de TI ficou em R$ 5,6 mil

A Pesquisa Salarial Nacional do Setor de Tecnologia, realizada com dados de 2025 pela Associação Catarinense de Tecnologia (ACATE), mostra que a média salarial do setor alcançou R$ 5,6 mil em 2025, crescimento de 3,85% em relação ao ano anterior no comparativo entre empresas participantes das edições de 2024 e 2025. O índice acompanha a recomposição inflacionária do período e demonstra um movimento mais conservador das empresas de tecnologia, que passaram a priorizar sustentabilidade financeira e crescimento operacional mais previsível. O relatório aponta ainda que as contratações estão acontecendo em áreas estratégicas como análise de dados e inteligência artificial.

Funções ligadas à liderança técnica, engenharia de dados e inteligência artificial tiveram crescimento salarial expressivo, enquanto cargos operacionais ou impactados por automação passaram por desaceleração ou retração de remuneração. Entre os destaques da pesquisa, posições ligadas à engenharia de dados registraram crescimento salarial superior a 20%, enquanto cargos de liderança técnica avançaram mais de 30% no comparativo anual. Por outro lado, funções como engenharia de software e marketing digital registraram queda superior a 10% na remuneração média.

Profissionais seniores passaram a ocupar participação proporcional maior nas áreas core de tecnologia e desenvolvimento, enquanto posições juniores perderam espaço relativo, movimento associado ao avanço da inteligência artificial e à automação de tarefas operacionais. Para Diego Ramos, presidente da ACATE, o setor vive uma transição importante depois de anos de forte volatilidade nas relações de trabalho e na dinâmica de contratação.

“O mercado de tecnologia passa por um processo de amadurecimento. As empresas seguem crescendo e contratando, mas agora de forma mais estratégica e sustentável. O que vemos é uma busca maior por eficiência operacional, retenção de profissionais considerados chave e decisões de remuneração mais conectadas à realidade do negócio”, adiciona.

Benefícios ganham protagonismo

Além da remuneração fixa, os benefícios passaram a desempenhar papel cada vez mais relevante nas estratégias de retenção e atração de talentos. A pesquisa mostra que modelos flexíveis de benefícios se consolidaram no setor de tecnologia, refletindo uma demanda crescente por personalização e maior autonomia dos profissionais. Entre as empresas que oferecem benefícios flexíveis, cerca de dois terços operam em modelo totalmente flexível.

Os dados revelam também o avanço consistente das iniciativas voltadas à saúde mental e bem-estar corporativo. Oito em cada dez empresas com programas estruturados de bem-estar oferecem apoio psicológico em modelos que combinam atendimento tradicional e plataformas digitais. O levantamento aponta que esse tipo de benefício passou a integrar estratégias de compliance, cultura organizacional e retenção de talentos, deixando de ser visto como acessório e integrando estratégias de RH de forma consolidada.

Menos judicialização e turnover mais equilibrado

Outro indicador que reforça o movimento de estabilização do setor é a redução das reclamações trabalhistas. Após um pico registrado em 2024, associado ao ciclo de reestruturações e demissões em massa do período pós-pandemia, o índice retornou em 2025 a patamares próximos aos observados anteriormente. O percentual de reclamações trabalhistas caiu de 11,79% para 4,70%, uma redução superior a 60%.

Os indicadores de turnover também mostram um ambiente mais previsível. A pesquisa aponta estabilidade no turnover geral e redução das demissões involuntárias, sugerindo que o setor entra em uma fase menos marcada por ajustes bruscos e mais orientada à retenção seletiva e à gestão de longo prazo das equipes.

Metodologia

A Pesquisa Salarial Nacional do Setor de Tecnologia é realizada anualmente pela ACATE e reúne dados sobre remuneração fixa e variável, benefícios, turnover, formatos de contratação, estrutura organizacional e indicadores de RH. A edição de 2025 foi conduzida em parceria com a Plooral e contou com a participação de 190 empresas de oito estados brasileiros, consolidando mais de 19 mil informações salariais e dados de mais de 270 cargos do setor de tecnologia. A partir de 2026, a pesquisa passa a ser realizada em parceria com a SinSalarial.

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