IoT: questões tarifárias, regulatórias e alfandegárias ainda são barreiras no Brasil, alerta ABINC

Mesmo com o constante crescimento do cenário de IoT no Brasil, os impostos inviabilizam a maioria dos projetos e mantêm o país atrasado em comparação com o cenário global, é o que diz Paulo Spaccaquerche, presidente da Associação Brasileira de Internet das Coisas (ABINC). O especialista destaca que “o problema do Brasil é que se dá um passo para frente e dois para trás” e que mesmo com o Plano Nacional da IoT e a implementação do 5G em território nacional, os avanços estão lentos em comparação a outros países.

Siga o tecflow no Google News!Participe do nosso grupo no Telegram ou Whatsapp!Confira nossos stories no Instagram e veja notícias como essa!Siga o tecflow no Google Podcast Spotify Podcast para ouvir nosso conteúdo!Anuncie conosco aqui.

Paulo, entretanto, revela que o cenário é mais promissor na América Latina, com o Brasil se destacando mesmo com o rápido avanço das nações vizinhas. “Com relação à América Latina, estamos um pouco melhor. Entretanto, países como Argentina, Chile e até mesmo o México estão ficando mais próximos do Brasil. A ABINC participa de uma entidade na América Latina que fala sobre IoT nesta região. Eles olham para o Brasil como modelo, só que eles fazem e nós estamos parados por barreiras regulatórias, alfandegárias e tarifárias”.

Isso se mostra, principalmente, quando há a necessidade de importação de equipamentos para desenvolvimento tecnológico. “Você acaba tendo um trabalho de importar equipamento que não está disponível no Brasil e os preços são absurdos, o que inviabiliza alguns projetos. Então, o desafio no Brasil é ter condições de desenvolver um projeto com tecnologia nacional”, explica. “Outro ponto é a falta de mão-de-obra. A ABINC tem parcerias com entidades como Mackenzie, Senac e Senai para a formação de novos profissionais especializados no setor”.

Apesar disso, o presidente da Associação revela que há um trabalho constante para fomentar a adoção de IoT no Brasil e que a ABINC atua junto ao governo para auxiliar na criação de projetos e medidas para este fim.

“Nós trabalhamos muito com relação à parte de regulamentação, pois o Brasil ainda está carente disso. Em 2021, foi assinado um projeto para os próximos 5 anos que é um incentivo para fomentar, explicar e evangelizar o IoT no país”, explica.

Paulo destaca que, no quesito avanços, o Brasil tem muito sendo feito, principalmente na área de saúde, uma vez que a implementação da rede 5G no país abriu a oportunidade para o desenvolvimento de redes privativas de alta velocidade e baixa latência, o que não era possível antes.

“O setor de agronegócio também está cada vez mais investindo em IoT e a área de cidades inteligentes vem crescendo bastante, com destaque na parte de iluminação, que é onde o desenvolvimento começa, e depois expande para segurança, tráfego, entre outros”.

De acordo com o estudo ISG Provider Lens Internet das Coisas (IoT) – Serviços e Soluções 2022, criado pela TGT/ISG em parceria com a ABINC, o número total de dispositivos conectados pode chegar a 27,1 bilhões até  2025. O relatório indica que a gestão e monitoramento de ativos de toda natureza e o uso de dados e inteligência artificial (IA) para tomada de decisão passou a ser uma atividade comum em áreas como Telecomunicações, Agronegócio, Medicina, Logística e com mais frequência em processos fabris.

Segundo David de Paulo Pereira,  autor do estudo e analista líder da TGT/ISG, o cenário de IoT no Brasil continua em crescimento, tanto em termos de quantidade de dispositivos conectados quanto na diversidade de aplicações.

“Com o advento do 5G e a expansão contínua das redes de comunicação, é esperado que mais dispositivos sejam conectados e possam compartilhar dados em tempo real. O país já apresenta casos de sucesso em diversos setores, sendo um grande filão brasileiro, tornando essas áreas mais eficientes e produtivas”.

Para este e os próximos anos, o especialista destaca que o uso de soluções IoT como viabilizadoras das iniciativas de ESG ganhou destaque, com várias empresas apresentando soluções voltadas para o meio ambiente, além de uma atenção especial às questões de segurança e privacidade.

“A integração de soluções de IoT com outras tecnologias, como inteligência artificial, computação em nuvem e computação de borda (edge computing), proporcionará análises mais precisas e insights valiosos em diversos setores”.

Faça como os mais de 10.000 leitores do tecflow, clique no sino azul e tenha nossas notícias em primeira mão! Confira as melhores ofertas de celulares na loja parceira do tecflow.

Tags

Compartilhe

Ookla: gargalo da IA móvel no Brasil está na conexão com a nuvem, não na rede 5G
ABRATUAL questiona metodologia da Anatel para cálculo do preço do GB
Crise dos chips e alta histórica nos custos de memória pode mudar o curso do mercado mobile
Crise dos chips e alta histórica nos custos de memória pode mudar o curso do mercado mobile
Big techs criticam PL que restringe acesso de crianças e adolescentes a redes sociais
Big techs criticam PL que restringe acesso de crianças e adolescentes a redes sociais
Claro lança API de qualidade sob demanda do Open Gateway
Claro lança API de qualidade sob demanda do Open Gateway
ANPD busca consultores para cinco estudos estratégicos
ANPD busca consultores para cinco estudos estratégicos
Brasscom: TIC vai gerar 33 mil empregos formais com carteira assinada
Brasscom: TIC vai gerar 33 mil empregos formais com carteira assinada
TICs devem somar 33 mil novas vagas formais em 2026, estima Brasscom
TICs devem somar 33 mil novas vagas formais em 2026, estima Brasscom
TICs devem somar 33 mil novas vagas formais em 2026, estima Brasscom
TICs devem somar 33 mil novas vagas formais em 2026, estima Brasscom