O Ministério das Comunicações apresentou nesta quinta-feira, 25, um balanço de dois dos principais projetos de infraestrutura digital em execução no país: o Programa Norte Conectado, que amplia a rede de fibra óptica na Amazônia por meio de cabos instalados nos leitos dos rios, e a Rede Privativa de Comunicação da Administração Pública Federal, criada para conectar órgãos governamentais em uma infraestrutura própria e independente das redes comerciais.

Juntos, os projetos somam cerca de R$ 2,3 bilhões em investimentos previstos no Novo PAC e em recursos vinculados aos compromissos do leilão do 5G, executados pela Entidade Administradora da Faixa de 3,5 GHz (EAF), com participação da Telebras e supervisão do Ministério das Comunicações e da Anatel.
Segundo o ministério, cinco infovias estão concluídas e em operação — as Infovias 00, 01, 02, 03 e 04 — beneficiando mais de 6,1 milhões de habitantes da região amazônica. Quando o programa estiver concluído, a rede deverá alcançar aproximadamente 7,5 milhões de pessoas em 70 localidades distribuídas pelos estados do Acre, Amapá, Amazonas, Pará, Rondônia e Roraima.
Ao todo, o Norte Conectado prevê nove infovias, totalizando cerca de 13,2 mil quilômetros de cabos de fibra óptica submersos. Outras três estruturas — as Infovias 05, 06 e 08 — permanecem em implantação.
Durante o evento, o secretário de Telecomunicações do Ministério das Comunicações, Hermano Tercius, informou que o programa entra em uma nova fase de expansão. Além da entrada em operação definitiva das Infovias 03 e 04, o governo iniciou a operação antecipada da Infovia 02 e anunciou o lançamento da Infovia 05, que ligará Autazes (AM) a Porto Velho (RO). Segundo ele, em pouco mais de um mês o número de infovias plenamente entregues dobrará, passando de duas para quatro.
A maior delas é a Infovia 02, com mais de 2 mil quilômetros de extensão entre Manaus e Atalaia do Norte, responsável por levar fibra óptica a 14 municípios que até hoje dependiam exclusivamente de conexões via satélite. A infraestrutura também permitirá futura integração internacional com Peru e Colômbia.
Infraestrutura busca ampliar competição e reduzir falhas
Segundo Hermano Tercius, a chegada da fibra óptica já produziu efeitos em algumas localidades, com aumento da velocidade dos planos de banda larga oferecidos pelos provedores e maior redundância das redes, reduzindo episódios de interrupção de conectividade. Em Boa Vista, por exemplo, a nova Infovia 04 criará uma segunda rota de fibra para a capital de Roraima, que atualmente depende de um único enlace terrestre.
Rede privativa inicia operação com foco em comunicações críticas
O segundo anúncio do evento foi o início da operação da Rede Privativa de Comunicação da Administração Pública Federal.
A iniciativa cria uma infraestrutura exclusiva para comunicações governamentais, separada das redes comerciais de telecomunicações e destinada a órgãos públicos federais e, futuramente, estaduais. O projeto está dividido em duas frentes: uma rede fixa, baseada em fibra óptica, e uma rede móvel para comunicações críticas.
A primeira entrega ocorreu em Aracaju (SE), onde a rede fixa já conecta 12 prédios públicos por meio de aproximadamente 75 quilômetros de fibra óptica. A Agência Nacional de Mineração (ANM) tornou-se o primeiro órgão a entrar em operação na nova infraestrutura. Também serão conectadas unidades do INSS, DNIT, Ministério do Trabalho, DNOCS e IPHAN.
Segundo o ministério, a rede foi projetada para operar com criptografia de Estado desenvolvida pela Agência Brasileira de Inteligência (Abin), dupla abordagem de enlaces, disponibilidade mínima de 99,5% e operação centralizada pela Telebras. A meta é instalar infraestrutura em todas as capitais brasileiras.
Integração inédita das forças de segurança
Na modalidade móvel, o governo demonstrou pela primeira vez a interoperabilidade entre sistemas de rádio de diferentes órgãos públicos.
Durante a apresentação, Polícia Militar do Distrito Federal, Exército Brasileiro, Polícia da Câmara dos Deputados e Polícia do Senado Federal realizaram uma comunicação conjunta utilizando a plataforma da Rede Privativa, integrando sistemas que até então operavam de forma isolada.
O secretário nacional de Segurança Pública, Francisco Lucas, afirmou que a integração resolve um problema histórico das comunicações entre forças de segurança, que utilizavam tecnologias distintas e sem interoperabilidade.
Segundo ele, a nova infraestrutura permitirá que órgãos federais, estaduais e de defesa civil compartilhem comunicações seguras e criptografadas, fortalecendo operações conjuntas e o enfrentamento ao crime organizado.
O projeto começa pelo Distrito Federal e deverá ser expandido gradualmente mediante adesão dos estados. A infraestrutura principal já foi construída para suportar essa ampliação.
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