Fraudes digitais custam, em média, R$ 10 mil por usuário no Brasil

Os brasileiros estão perdendo mais dinheiro com fraudes digitais. A perda média por vítima, relatada entre consumidores que disseram ter perdido recursos devido a fraudes digitais (online, e-mail, telefone e mensagens de texto), chegou a R$ 10.699 — cerca de 6,6 salários mínimos —, segundo pesquisa da TransUnion, empresa de informação e insights que atua como DataTech. Os dados fazem parte da Atualização do TransUnion H1 2026 do Relatório de Principais Tendências de Fraude, que incluiu uma pesquisa¹ global com 12.730 consumidores em 18 países e regiões e destaca como a fraude digital está cada vez mais sofisticada.

O resultado representa uma mudança relevante em relação ao levantamento anterior, quando o prejuízo médio era de R$ 6.311; ou seja, a perda média por fraude digital aumentou em 60%. O prejuízo médio do consumidor no Brasil também está acima da média relatada globalmente de USD $1.671², o equivalente a R$ 9.307.

A pesquisa também revelou que 41% dos brasileiros disseram ter sido alvo de tentativas de fraude digital na atualização mais recente. Apesar disso, uma parcela significativa dos consumidores diz não ter sido afetada, o que pode indicar possível subestimação de abordagens fraudulentas, especialmente em golpes de engenharia social – quando criminosos manipulam pessoas para obter dados ou acionar transferências financeiras.

Vilão vishing

Nesse cenário, o vishing – ligações telefônicas fraudulentas que induzem consumidores a revelar informações pessoais – foi apontado por 32% das pessoas entrevistadas como a maior causa de perda financeira por fraude. A prática consiste em simular contatos legítimos de instituições financeiras ou empresas para enganar consumidores.

A taxa supera a média global de 23%, indicando maior vulnerabilidade no mercado brasileiro a esse tipo de crime. Além disso, segundo o relatório, esquemas de uso de “laranjas” para movimentar dinheiro ilegal foram a segunda causa relatada por brasileiros que perderam dinheiro devido a fraude digital (19%), seguidos por invasão de conta (ATO) com 18%.

O resultado reforça que muitos golpes atuais exploram o fator humano, utilizando técnicas de persuasão, urgência e confiança para obter dados sensíveis ou induzir transferências financeiras. “Hoje, a fraude se disfarça de contato legítimo e fala com a vítima como se fosse uma empresa confiável”, afirma Wallace Massola, head de Soluções de Prevenção a Fraudes da TransUnion Brasil.

Brasil permanece acima da média regional em fraudes digitais

De acordo com dados proprietários da rede global de inteligência da TransUnion, a taxa de suspeitas de tentativas de fraude digital³ analisadas no Brasil, Chile, Colômbia, Costa Rica, República Dominicana, El Salvador, Guatemala, Honduras, México, Nicarágua e Porto Rico foi de 2,7% em 2025. No entanto, o Brasil registrou uma taxa de 3,8%, colocando-se acima da média dos países latino-americaos analisados e entre os três principais mercados entre eles a Nicarágua (12,5%) e a República Dominicana (6,5%).

“A prevenção de fraudes avançou, mas o Brasil ainda está longe de ser um cenário confortável. Embora os investimentos estejam contribuindo para uma leve redução nas suspeitas de transações fraudulentas em toda a região, o país ainda opera acima da média, reforçando que o desafio continua relevante e exige atenção constante”, conclui Massola.

A TransUnion chegou a suas conclusões com base em uma pesquisa global realizada de 20 de novembro a 9 de dezembro de 2025. Mil pessoas foram pesquisadas no Brasil de 20 de novembro a 5 de dezembro de 2025, como parte da pesquisa global.

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