Feninfra acusa big techs de “concorrência desleal”

Feninfra acusa big techs de “concorrência desleal”

Foto: FreepikA presidente da Feninfra (Federação Nacional de Call Center, Instalação e Manutenção de Infraestrutura de Redes de Telecomunicações e Informática), Vivien Mello Suruagy, alerta que o setor precisa ser fortalecido e ter respostas positivas para as reivindicações que tem feito ao poder público, para fazer frente ao aumento do uso de dados móveis na América Latina e no Caribe, de 6,2 gigabytes ao mês por usuário em 2023 para 13 em 2028. Avanço é apontado em pesquisa da 5G Américas, baseada em dados da GlobalData, apontando que o crescimento do consumo resultará em um salto no tráfego total das redes, que passará de 57,8 milhões de terabytes para 139,7 milhões.

Vivien explica que uma das principais medidas para o equilíbrio e fortalecimento do setor de telecomunicações seria uma alíquota diferenciada nos novos impostos de valor agregado, considerando o significado da atividade para a conectividade, desenvolvimento do 5G, comunicação e segurança nacional. “Também é preciso, desde já, estabelecer taxação justa das big techs, de modo proporcional ao seu faturamento e
ao uso intensivo das redes. Elas recolhem apenas o Imposto sobre Serviços (ISS), cuja alíquota máxima no Brasil é de 5%, enquanto as empresas de telecomunicações têm o Imposto sobre a Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS), com média nacional em torno de 18%. No nosso setor, o pagamento anual de tributos e taxas soma cerca de R$ 65 bilhões, considerando todas as esferas, fundos setoriais, Ancine e outros compromissos “, observa.

A presidente da Feninfra lembra que multinacionais como Meta, Google, Apple, Netflix, Amazon, Microsoft e X não remuneram as teles pelo uso intensivo das redes. São responsáveis por mais de 80% do total do tráfego de dados, mas a legislação atual impede que sejam cobradas por isso. Ou seja, as teles têm de investir sozinhas em infraestrutura e qualidade, provocando desequilíbrio financeiro. “Ocorre claríssima concorrência desleal por parte das big techs, fator que afeta o aporte de recursos no aumento da conectividade, sobretudo em regiões e setores menos assistidos. Seria importante maior disponibilidade financeira para expandir a internet no meio rural e em escolas e hospitais localizados em regiões mais remotas ou na periferia das grandes cidades”, pondera.

Além da simetria tributária, também é crucial a regulatória, de modo que as big techs, que geram muito menos empregos no País do que as empresas de Telecom, tenham as mesmas despesas e obrigações legais. “ Enfatizo que as big techs são claramente empresas de mídia e de telecomunicações tradicionais, porém sem as mesmas obrigações que temos, gerando forte competição desigual. Somente nós somos
obrigados a zelar por direitos do consumidor, satisfação do cliente, prazo de atendimento, regras de ciber segurança, qualidade de atendimento e qualidade dos serviços, entre outros. Observem também a forte assimetria com as mídias tradicionais.

Enquanto as rádios e TVs, por exemplo, cumprem uma série de exigências – inclusive de responsabilidade editorial – e são obrigadas a manter sede no Brasil, as mídias digitais não estão sujeitas a compromissos semelhantes, e muitas vezes não remuneram o conteúdo, apesar de atingirem público tão ou mais numerosos do que os tradicionais meios de comunicação de massa. “ As big techs são obrigadas a seguir apenas a Lei Geral de Proteção de Dados e o Marco Civil da Internet. “A isonomia tributária e regulatória não pode esperar a reforma tributária. É para ontem”, afirma a presidente da Feninfra.

(com assessoria de imprensa).

Compartilhe

Brasil TecPar cresce em receitas e atinge margem recorde
Brasil TecPar cresce em receitas e atinge margem recorde
Telebras reelege Bittar e Semeghini ao conselho de administração
Telebras reelege Bittar e Semeghini ao conselho de administração
Acionistas da Vivo aprovam incorporação da FiBrasil, que será extinta
Acionistas da Vivo aprovam incorporação da FiBrasil, que será extinta
Área técnica do TCU não vê espaço para rediscutir renovação da faixa de 850 MHz
Área técnica do TCU não vê espaço para rediscutir renovação da faixa de 850 MHz
Ascenty amplia gestão de riscos cibernéticos em data centers
Ascenty amplia gestão de riscos cibernéticos em data centers
Falha de componentes de TT parou atividades da Bolsa de Valores
Renegociação de dívidas está entre os serviços mais procurados no GOV.BR
Anatel e Sercomtel concluem migração da última concessão de telefonia fixa
Anatel e Sercomtel concluem migração da última concessão de telefonia fixa
Deezer e PlayHub ampliam parceria para ISPs na América Latina
NFCom entra no cronograma do IBS e da CBS em outubro