
A faixa de 700 MHz, em fase final de licitação das subfaixas remanescentes após a conclusão do desligamento da TV analógica, pode abrir uma nova frente para a expansão do IoT celular no Brasil, na avaliação de empresas que atuam com conectividade gerenciada e infraestrutura móvel. A leitura é que o uso dessa frequência em redes de quarta geração tende a melhorar cobertura, penetração de sinal e estabilidade operacional em aplicações distribuídas, especialmente fora dos grandes centros.
Segundo Eseye, NLT e Surf Telecom, frequências mais baixas têm características de propagação que as permitem alcançar áreas maiores e a apresentar melhor desempenho em ambientes internos.
No entendimento das empresas, esse cenário pode beneficiar projetos em setores como agronegócio, indústria 4.0, cidades inteligentes, rastreamento, logística, utilities, infraestrutura crítica e meios de pagamento. A avaliação parte do fato de que essas aplicações dependem de conectividade contínua em ambientes dispersos, muitas vezes com limitações de cobertura.
“A liberação definitiva da faixa de 700 MHz representa mais do que um avanço de cobertura. Para o mercado de IoT, ela pode ampliar a previsibilidade operacional dos projetos, reduzir barreiras de implantação e criar condições para conectar, com mais consistência, dispositivos que estão fora dos grandes centros ou em operações de alta criticidade. Isso é especialmente relevante quando falamos de infraestrutura distribuída, mobilidade, telemetria, meios de pagamento e monitoramento remoto”, afirma Ana Carolina Bussab, CEO da Eseye no Brasil.
Na mesma linha, a executiva diz que o impacto para IoT depende não apenas da disponibilidade da rede, mas também da capacidade de transformar essa cobertura em operação escalável. “A ampliação da cobertura 4G em 700 MHz é muito positiva, mas o valor para IoT não estaria apenas na existência da rede. Ele estaria na capacidade de transformar essa disponibilidade em conectividade resiliente, governável e escalável”, declara.
Pressão por modernização tecnológica
A faixa também contribui para a migração de tecnologias legadas para redes de quarta geração e superiores. Embora não haja um desligamento formal nacional de 2G e 3G, as MVNOs afirmam que o mercado já opera sob pressão para atualizar dispositivos e bases instaladas.
Para Fabio Ribeiro, CEO da NLT Telecom, a melhora de cobertura pode elevar o nível de exigência dos clientes corporativos. “O Brasil entra em uma etapa importante de maturidade para IoT. Quando a cobertura melhora e o ecossistema consegue integrar diferentes camadas de conectividade, abre-se uma oportunidade concreta para acelerar projetos em setores que exigem continuidade, capilaridade e segurança”, afirma.
Ele acrescenta que “à medida que mais aplicações se tornam viáveis em campo, cresce a necessidade de conectividade desenhada para operação crítica, e não apenas para ativação de linha”.
Do ponto de vista técnico, Yon Moreira da Silva Jr., sócio-fundador da Surf Telecom, afirma que a discussão não se limita ao aumento de alcance da cobertura. “Em operações M2M e IoT de grande escala, não basta ampliar cobertura; é necessário combinar eficiência espectral, estabilidade, capacidade de suportar grandes volumes de acessos e integração consistente com plataformas de gestão e operação”, diz.
A avaliação conjunta apresentada pelas empresas é que a faixa de 700 MHz poderá reforçar a infraestrutura de conectividade voltada a aplicações massivas de IoT, desde que o avanço da cobertura venha acompanhado de integração de rede e gestão operacional.
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