
O Brasil precisa avançar da expansão da conectividade para uma fase de consolidação da infraestrutura digital, com mais capacidade de processamento distribuída, inclusão efetiva e coordenação de políticas públicas. Essa avaliação foi discutida durante webinar da Fiber Broadband Association Latam Chapter, realizado hoje, 28, e que reuniu Fausto Luiz Jorge Padua, da Gerência de Universalização e Ampliação de Acesso da Anatel, Juliano Stanzani, do Departamento de Política Setorial do Ministério das Comunicações e Flavio Lang, publisher do Tele.Síntese.
O ponto de maior destaque foi a política nacional para data centers em elaboração pelo Ministério das Comunicações. Stanzani afirmou que a discussão não se restringe ao ReData, medida tributária em debate no Congresso, e deve considerar infraestrutura, burocracia, oportunidades de computação e necessidades de processamento de dados.
Segundo ele, a política deve olhar não apenas para grandes data centers voltados a inteligência artificial, Big Techs ou prestação de serviços a outros países, mas também para edge data centers. A diretriz é fortalecer a rede de telecomunicações com capacidade de processamento mais distribuída pelo território.
Inclusão além da cobertura
Stanzani também defendeu que o país trate a inclusão digital além da disponibilidade de redes. Para ele, os indicadores de cobertura fixa e móvel permitem falar em cenário próximo à universalização nas residências, mas ainda há lacunas em áreas rurais, rodovias, habilidades digitais, renda e acesso a equipamentos como computadores e smartphones.
Fausto Luiz Jorge Padua afirmou que a transformação digital no Brasil gera demanda por conectividade de alta capacidade, baixa latência e alta confiabilidade. Nesse contexto, a fibra óptica se consolidou como tecnologia estrutural da transformação digital no país, não apenas como uma solução de acesso ao usuário final. De acordo com o executivo, 79,3% dos acessos de banda larga fixa já utilizam fibra, mas o desafio agora está na infraestrutura de transporte, na integração territorial das redes, na resiliência e na capacidade de suportar novas demandas digitais.
O representante da Anatel também destacou o uso de dados para orientar regulação e investimentos, citando painéis públicos da Agência, bases abertas, o Plano Estrutural de Redes de Telecomunicações e o Índice Brasileiro de Conectividade. “Os dados não servem só para fiscalizar, mas também para induzir comportamento”, informou.

Uso produtivo da rede
Flavio Lang afirmou que o desafio brasileiro deixou de ser apenas construir infraestrutura. Para ele, a próxima etapa exige combinar investimento privado, política pública e mecanismos de incentivo para evitar concentração excessiva de infraestrutura nas áreas de maior retorno econômico. “Não basta construir a rede. A transformação digital será realmente inclusiva se a população tiver condição de utilizar esta tecnologia de forma produtiva para a transformação da sociedade”, disse.
Para Stanzani, o país ainda precisa enfrentar lacunas em áreas rurais, rodovias federais e estaduais, habilidades digitais, capacidade de pagamento das famílias e acesso a equipamentos como computadores e smartphones. Para ele, o desafio da inclusão digital vai além da presença da rede. “Ainda há uma parcela relevante da população sem as capacidades mínimas para aproveitar a conexão digital de forma significativa”, afirmou.
Também falou sobre as dificuldades de famílias que não conseguem arcar com os custos dos serviços de conexão ou da aquisição de dispositivos.
O executivo apontou quatro frentes para o futuro: fortalecimento do mercado de demanda, reconhecimento do ecossistema digital, maior coordenação político-institucional e fomento a camadas de aplicação e produção voltadas à soberania digital.
O post Brasil mira data centers de borda em nova fase digital, diz MCom apareceu primeiro em TeleSíntese.



