
O Brasil não integra uma articulação internacional liderada pelos Estados Unidos para coordenar políticas relacionadas ao desenvolvimento, à segurança e à padronização das futuras redes 6G. Lançada pela Administração Nacional de Telecomunicações e Informação dos Estados Unidos (NTIA), a iniciativa recebeu a adesão de 25 governos.
O grupo inclui quatro países da América Latina: Costa Rica, Honduras, Panamá e Paraguai. Além do Brasil, Argentina, Chile, Colômbia e México não aparecem na relação de participantes divulgada pela agência norte-americana.
Denominada Call to Action for 6G Leadership and Security, a iniciativa também foi endossada por Albânia, Austrália, Canadá, Coreia do Sul, Dinamarca, Estônia, Filipinas, Finlândia, França, Alemanha, Grécia, Itália, Japão, Letônia, Lituânia, Noruega, Reino Unido, República Tcheca, Romênia e Suécia, além dos Estados Unidos.
Agenda de 12 meses
O documento estabelece um cronograma para aproximar os órgãos governamentais responsáveis pelas políticas de telecomunicações e promover o diálogo com empresas, universidades e entidades envolvidas no desenvolvimento do 6G.
No prazo de um mês, os participantes comprometeram-se a estabelecer canais de comunicação entre os órgãos responsáveis e indicar pontos de contato especializados. Em até três meses, pretendem iniciar conversas com representantes da indústria e da comunidade de pesquisa.
Essa etapa deverá incluir reuniões sobre os trabalhos já realizados na definição do 6G, questões relacionadas à segurança, preocupações políticas e econômicas e possíveis obstáculos ao desenvolvimento da tecnologia.
Em até seis meses, os governos pretendem elaborar estratégias preliminares de cooperação. O documento prevê discussões entre especialistas, intercâmbio de pesquisas e ampliação do diálogo intergovernamental.
O prazo de 12 meses foi reservado para reuniões presenciais destinadas a discutir ações concretas. Entre os temas previstos estão financiamento, uso de relações internacionais já existentes para acelerar o intercâmbio de informações, riscos de segurança cibernética e participação nos processos globais de padronização.
Coordenação, não desenvolvimento conjunto
Apesar do cronograma, a iniciativa não constitui um programa comum de pesquisa e desenvolvimento nem estabelece a entrega de tecnologias 6G dentro de 12 meses. Entre os princípios apresentados estão redes abertas, interoperáveis, seguras e resilientes, além do uso de IA considerada confiável. A segurança das cadeias de fornecimento e a criação de condições para investimentos privados também aparecem entre os objetivos.
Segundo a administradora da NTIA, Arielle Roth, os compromissos representam um nível de coordenação internacional necessário porque o 6G será “dramaticamente diferente do 5G”. O comunicado oficial relaciona a próxima geração de redes à segurança, à inovação e à competitividade dos países participantes.
Atuação em espectro e padronização
A iniciativa está alinhada ao memorando presidencial Winning the 6G Race, assinado em dezembro de 2025. O documento define a liderança no 6G como objetivo dos Estados Unidos nas áreas de segurança nacional, política externa e crescimento econômico, e determina que o país atue nos organismos internacionais de padronização e busque faixas de radiofrequência que possam ser harmonizadas mundialmente para o 6G.
Também orienta a formação de uma coalizão de governos e empresas para apoiar as posições norte-americanas no item 1.7 da agenda da Conferência Mundial de Radiocomunicações de 2027, a WRC-27. O item prevê estudos de faixas de espectro para futuras redes móveis.
O memorando da Casa Branca também afirma que a política dos Estados Unidos é liderar mundialmente o desenvolvimento do 6G. O documento não menciona nominalmente a China ou outro país como alvo da estratégia.
O post Brasil fica fora de articulação liderada pelos EUA para 6G apareceu primeiro em TeleSíntese.


