O Brasil consolidou sua posição como principal mercado de tecnologia da América Latina e manteve o posto de décima maior economia mundial em investimentos em Tecnologia da Informação (TI), indica a segunda etapa do Estudo Mercado Brasileiro de Software – Panorama e Tendências 2026, elaborado pela ABES (Associação Brasileira das Empresas de Software) com dados da IDC.

Em 2025, o mercado brasileiro de TI movimentou US$ 67,8 bilhões, enquanto os investimentos em software e serviços alcançaram US$ 35,4 bilhões. O volume coloca o país à frente de qualquer outro mercado latino-americano, respondendo sozinho por 38,4% de todos os investimentos regionais em tecnologia.
A liderança regional aparece com ampla margem. O México, segundo colocado, concentra cerca de 24% do mercado latino-americano, enquanto os demais países ficam significativamente atrás. Para a ABES, o resultado reforça o papel do Brasil como principal destino dos investimentos em tecnologia na região.
“O Brasil permanece entre as dez maiores potências globais em tecnologia e segue sendo o principal mercado da América Latina”, destacou Jorge Sukarie Neto, conselheiro da ABES e responsável pelo estudo.
IA domina prioridades dos investimentos
A pesquisa revela uma mudança importante na agenda tecnológica das empresas brasileiras. Inteligência Artificial Generativa e agentes de IA passaram a ocupar o topo das prioridades corporativas para 2026.
Segundo o levantamento, 53% dos executivos apontam IA Generativa e agentes inteligentes como principal foco de investimento. Na sequência aparecem segurança da informação e segurança em nuvem (41%), Inteligência Artificial e Machine Learning (35%), infraestrutura de nuvem (24%) e Big Data e Analytics (24%).
O avanço já é perceptível na prática. Atualmente, 40% das empresas afirmam investir em agentes de IA, enquanto outros 33% planejam iniciar projetos nos próximos 12 meses. Isso significa que mais de sete em cada dez organizações brasileiras já investem ou pretendem investir na tecnologia em curto prazo.
Apesar do entusiasmo, a pesquisa mostra que os resultados financeiros ainda não acompanham integralmente as expectativas. Durante a apresentação dos dados, Sukarie observou que muitas empresas registram ganhos individuais de produtividade, mas ainda encontram dificuldades para medir retornos corporativos concretos.
Os obstáculos à adoção da IA
O estudo identificou uma série de gargalos que continuam limitando a expansão da inteligência artificial nas empresas brasileiras.
O principal deles está relacionado à qualidade e governança dos dados. Questões envolvendo tratamento, organização, disponibilidade e gestão das informações aparecem como o maior desafio para escalar projetos de IA.
Também figuram entre as principais barreiras:
- Modernização de sistemas legados;
- Governança e controle dos projetos;
- Escalabilidade das iniciativas;
- Falta de profissionais especializados;
- Necessidade de dados confiáveis para treinamento e operação dos modelos;
- Questões de cibersegurança e conformidade regulatória.
Segundo a ABES, o desafio deixou de ser apenas tecnológico e passou a envolver processos, governança corporativa e qualificação profissional.
Data centers perdem espaço na agenda dos compradores
Um dos pontos que mais chamou atenção durante a apresentação do estudo foi a posição relativamente modesta da infraestrutura de data centers entre as prioridades dos executivos entrevistados. Das cinco prioridades, está é a quarta, conforme o estudo, para onde irão 24% dos investimentos.
Sukarie observou que a pesquisa ouviu CIOs e líderes de tecnologia de empresas usuárias, e não operadores de infraestrutura. Por isso, a preocupação dos respondentes está mais relacionada à contratação de serviços do que à construção de capacidade própria.
Na avaliação do executivo, os compradores corporativos tendem a enxergar data centers como uma camada de serviço já disponível no mercado, enquanto concentram suas preocupações em aplicações de IA, segurança, produtividade e transformação digital.
A constatação ocorre justamente em um momento de forte expansão dos investimentos em infraestrutura digital no Brasil, impulsionados pela corrida por capacidade computacional para IA, crescimento dos serviços em nuvem e demanda por processamento de dados.
Mercado pulverizado e dominado por pequenas empresas
O estudo identificou 41.613 empresas atuando nos segmentos de software e serviços no Brasil.
A estrutura do setor continua fortemente pulverizada:
- 62,5% são microempresas;
- 31,8% são pequenas empresas;
- 3,4% são médias empresas;
- 2,3% são grandes empresas.
Somadas, micro e pequenas empresas representam 94,3% de todo o ecossistema nacional.
No recorte por atividade, as empresas de serviços lideram com 37,6% do total, seguidas pelas distribuidoras de tecnologia (33,3%) e pelas desenvolvedoras de software (29,1%).
Finanças lideram demanda por tecnologia
O setor financeiro permanece como principal consumidor de software e serviços no país.
Em 2025, os bancos e instituições financeiras responderam por 25,4% de todo o mercado nacional, com investimentos de US$ 8,99 bilhões.
Na sequência aparecem:
- Serviços e Telecomunicações: US$ 8,61 bilhões (24,3%);
- Indústria: US$ 6,92 bilhões (19,5%);
- Varejo: US$ 3,53 bilhões;
- Setor público: US$ 2,44 bilhões;
- Óleo e gás: US$ 1,34 bilhão;
- Agronegócio: US$ 670 milhões.
Os três primeiros segmentos concentram aproximadamente 70% de todos os investimentos brasileiros em software e serviços.
Investimentos se espalham pelo país
Outro movimento destacado pela ABES é a desconcentração gradual dos investimentos em tecnologia.
Embora o Sudeste ainda responda por 62,37% do total nacional, sua participação vem caindo. Em 2012, a região concentrava 65% dos investimentos.
No mesmo período, o Sul ampliou sua participação de 12% para quase 16%, enquanto Norte e Nordeste também registraram crescimento.
Para a associação, a tendência reflete o amadurecimento do ecossistema digital brasileiro e a expansão da transformação digital para além dos grandes centros econômicos tradicionais.
Crescimento mais moderado em 2026
Para este ano, a IDC projeta expansão mais seletiva dos investimentos.
As previsões apontam crescimento de:
- 5,3% para TI;
- 3,9% para telecomunicações;
- 4,6% para Business IT.
A expectativa é que as empresas priorizem projetos com retorno mais rápido, produtividade mensurável e ganhos operacionais concretos, mantendo a Inteligência Artificial como principal vetor da transformação digital.
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