O governo estabeleceu como meta elevar para 50% até 2033 a parcela de empresas brasileiras que passaram por processos de transformação digital. Atualmente, o percentual é de aproximadamente 23%, segundo o secretário-executivo do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), Rodrigo Zerbone.

Os números foram apresentados nesta terça-feira, 11, durante a abertura do 6º Simpósio TelComp, em Brasília. Zerbone afirmou que a expectativa do governo é alcançar a meta antes do prazo, diante do papel atribuído à digitalização na política de desenvolvimento econômico.
A estratégia faz parte da Nova Indústria Brasil (NIB), política industrial estruturada em seis missões. Uma delas é dedicada à transformação digital e atua, segundo o secretário, tanto sobre a demanda por tecnologia quanto sobre a oferta.
Na frente da demanda, o governo pretende estimular empresas brasileiras a incorporar tecnologias e avançar em seus processos de transformação digital. Do lado da oferta, a política envolve diferentes camadas da infraestrutura e da economia digital.
Zerbone citou iniciativas relacionadas a minerais críticos, data centers, Redata, semicondutores e ao programa Semicon, além de políticas voltadas ao aproveitamento de dados.
O secretário afirmou que a economia digital representa atualmente 15% do PIB mundial e sustentou que uma estratégia de desenvolvimento econômico precisa considerar a digitalização como fator relacionado à produtividade e à competitividade das empresas.
86% dos dados industriais não são aproveitados
O aproveitamento dos dados foi apontado por Zerbone como um dos desafios para a política industrial brasileira. Segundo o secretário, 86% dos dados industriais do País atualmente não são utilizados e, portanto, não geram valor econômico.
Na avaliação apresentada pelo representante do MDIC, existe espaço para ampliar o uso desses ativos no desenvolvimento de serviços e na geração de valor para a economia e para o setor produtivo.
Zerbone também relacionou esse processo às telecomunicações. Segundo ele, permanece o desafio de transformação das prestadoras de telecom em empresas capazes de atuar também na oferta de serviços digitais.
Para o secretário, o setor de telecomunicações pode participar de forma mais efetiva das demais camadas da cadeia da economia digital, ampliando a captura de valor gerada pelos serviços desenvolvidos sobre as redes.
Telecom na política industrial
Zerbone apontou as empresas de telecomunicações como participantes desse processo por sua presença na infraestrutura que sustenta a economia digital. A política do governo, segundo ele, busca fortalecer os diferentes elos dessa cadeia.
O secretário também associou a estratégia industrial à questão da soberania. Em seu discurso, afirmou que temas econômicos passaram a integrar disputas geopolíticas e que essa dimensão precisa ser considerada na estratégia de desenvolvimento do País.
Nesse contexto, a missão de transformação digital da Nova Indústria Brasil combina incentivo à adoção tecnológica pelas empresas com políticas destinadas a desenvolver a oferta nacional de infraestrutura, tecnologias e serviços digitais.
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