Brasil aloca apenas 5,7% de sua capacidade de rede para uplink em 5G

Um levantamento da empresa de medição Ookla sobre a prontidão de redes 5G para inteligência artificial (IA), divulgado nesta terça-feira, 7, mostra que o Brasil tem problemas a resolver na capacidade de upload. Segundo o teste, o Brasil está entre os mercados que reduziram a fatia da capacidade destinada ao upload entre 2023 e 2025, aponta o relatório.

A participação do upload nas redes do País caiu 1,27 ponto percentual no período, passando para 5,74%. Mas segue com o mínimo necessário para viabilizar as aplicações como assistentes de voz, IA generativa e ferramentas multimodais, que exigem cada vez mais dados trafegando do aparelho para a nuvem.

O estudo mostra ainda que quando se testa a latência necessária para os serviços, o Brasil se destaca, mas quando o critério passa a ser o caminho até os servidores de nuvem, onde os modelos de IA rodam, a performance deixa muito a desejar.

Na medição de latência até a nuvem, o Brasil aparece em último entre os 22 mercados, com latência mediana entre 149,7ms e 163,6ms. Esse indicador representa o tempo de resposta entre a rede da operadora de telecomunicação e provedores como AWS, Azure, Google Cloud e Oracle Cloud Infrastructure (OCI).

Esse tempo de resposta é bem mais alto do que em outros países como Alemanha (42ms a 45ms) e Noruega (48ms a 57ms). ” Esse é um ponto preocupante”, pontua o estudo em relação ao Brasil. A Ookla justifica a performance indesejada na maneira como o Brasil se conecta à Internet global. Vale lembrar que a infraestrutura de tráfego está concentrada em São Paulo e há diferentes caminhos pelo país.

O estudo coloca a Claro aparece entre as operadoras com melhor desempenho 5G combinando upload e latência – a operadora brasileira atingiu 32,23 Mbps de upload e 32,9ms de latência. Resultado superior ao constatado em grandes teles como a Deutsche Telekom em upload (24,57 Mbps), com latência praticamente equivalente (33,0ms).

O relatório mostra, porém, que quando a rede fica sob cargas de estresse, ou seja quando a rede é totalmente utilizada sob carga de pico, o Brasil registra uma taxa de degradação de latência de 7,0x, muito acima do registrado na Alemanha ou no Reino Unido, mas melhor do que a de Singapura (9,2x).

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