
A Apura Cyber Intelligence lançou a plataforma BTTneo, voltada a operações de Cyber Threat Intelligence (CTI). A principal novidade é a incorporação de um agente de IA desenvolvido para apoiar investigações, correlacionar indicadores de comprometimento e auxiliar equipes responsáveis pela resposta a incidentes.
O lançamento ocorre em um momento de expansão do uso de inteligência artificial nas operações de segurança cibernética. O relatório Cost of a Data Breach Report 2026, da IBM, mostra que ataques conduzidos com IA cresceram 56% em relação ao levantamento anterior e passaram a adicionar, em média, US$ 1 milhão ao custo de uma violação de dados. O estudo também aponta que o custo médio global de um incidente atingiu US$ 4,99 milhões, enquanto organizações que utilizam amplamente IA e automação nas operações de segurança economizam, em média, US$ 1,93 milhão por incidente.
Segundo Frank Vieira, CTO da Apura, o desafio das operações de CTI deixou de ser apenas a coleta de informações sobre ameaças e passou a ser a capacidade de transformar grandes volumes de dados em inteligência útil para as equipes de segurança. “O mercado passou muitos anos preocupado em coletar cada vez mais informações, mas hoje o desafio mudou. Os ataques são mais rápidos, utilizam IA e geram um volume de dados que não pode mais depender apenas de análise manual. O diferencial passou a ser capacidade de transformar informação em inteligência acionável.”
Agente de IA automatiza etapas da investigação
Batizado de IARA, o agente de IA foi desenvolvido para executar tarefas típicas das equipes de Cyber Threat Intelligence. Entre as funções anunciadas estão a consulta a bases de inteligência, a correlação de indicadores técnicos, a organização de evidências e o apoio à elaboração de análises utilizadas durante investigações de incidentes.
Segundo Carlos Vieira, Chief Product Officer da Apura, a proposta é automatizar parte das atividades operacionais para que os especialistas concentrem seus esforços na análise das informações. “Nosso objetivo nunca foi criar um chatbot para segurança, e sim desenvolver um agente capaz de executar parte do trabalho investigativo, reduzindo atividades repetitivas e entregando contexto para que o especialista concentre seus esforços na análise e na tomada de decisão.”
A plataforma adota o conceito de human in the loop, no qual a automação executa parte do processo investigativo, enquanto a validação das evidências e as decisões permanecem sob responsabilidade dos analistas.
Plataforma reúne recursos para CTI
Além do agente de IA, o BTTneo integra funcionalidades voltadas ao monitoramento de campanhas criminosas, grupos de ameaças, vulnerabilidades e indicadores técnicos obtidos em fontes abertas, internet, deep web e dark web.
Também reúne recursos para proteção de marcas, incluindo identificação de domínios suspeitos, páginas de phishing, perfis falsos em redes sociais, aplicativos fraudulentos e acompanhamento de processos de retirada (takedown).
Outro conjunto de funcionalidades permite monitorar a exposição digital de executivos, identificar credenciais vazadas, detectar tentativas de impersonificação e consolidar essas informações em painéis específicos.
Segundo Rafael Andrade, Head of Sales Engineering da Apura, o objetivo é priorizar informações relacionadas ao contexto operacional de cada organização. “Receber mais alertas não significa estar mais protegido. O desafio é receber as informações certas para cada contexto.”
Integração com processos existentes
A plataforma também incorpora recursos para acompanhar carteiras de criptomoedas identificadas durante investigações, permitindo monitorar movimentações e novas referências encontradas nos ambientes monitorados.
Segundo a empresa, o BTTneo mantém compatibilidade com APIs, integrações e fluxos automatizados já utilizados pelos clientes, permitindo a migração para a nova plataforma sem necessidade de alterar os processos existentes.
Para Frank Vieira, a incorporação de IA às operações de CTI amplia a capacidade operacional das equipes, mantendo a análise e a tomada de decisão sob responsabilidade dos especialistas. “Dados, sozinhos, não bastam. A diferença está na capacidade de interpretar esses dados, entender o contexto e agir no momento certo. A IA acelera esse processo, mas continua sendo a experiência humana que transforma informação em decisão segura.”
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