Abrint cobra celeridade na liberação do Wi-Fi outdoor em 6 GHz

A Abrint intensificou durante a AGC 2026 a cobrança pela regulamentação do uso outdoor da faixa de 6 GHz em Wi-Fi, incluindo a adoção do AFC (Automated Frequency Coordination). A entidade realizou testes práticos durante o evento com equipamentos das fabricantes Ruckus e Ubiquiti operando em standard power mediante autorização temporária da agência reguladora.

Crédito: Divulgação
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Segundo a associação, a experiência demonstrou ganhos de alcance, capacidade e redução de interferências em ambientes de alta densidade, além de reforçar o argumento de que a faixa é necessária para expansão da conectividade em regiões remotas e para manutenção da competitividade dos provedores regionais.

“O 6 GHz com toda a sua frequência é muito importante para a gente ter uma quantidade de canais maiores, mais dispositivos sem se interferir, e que possa atender com qualidade”, afirmou Mauricélio Oliveira durante coletiva de imprensa realizada nesta sexta, 8.

Os testes utilizaram a parcela de 500 MHz atualmente destinada ao Wi-Fi no Brasil. Segundo Basílio Perez, diretor da Abrint, a limitação da faixa já produz gargalos mesmo em demonstrações localizadas.

“Foram testes com dois fabricantes diferentes e já estava tendo uma certa interferência entre eles. Isso mostra a dificuldade de ter uma banda tão estreita liberada para outdoor”, declarou.

Pressão por AFC e uso outdoor

O AFC é um sistema de coordenação automática de frequências destinado a evitar interferências em enlaces licenciados que possuem prioridade na faixa. A implementação desse mecanismo é defendida pela Abrint e pelos fabricantes como condição para ampliar potência e alcance das redes Wi-Fi outdoor.

Mauricélio afirmou que a regulamentação é necessária para ampliar cobertura em ambientes externos e permitir o atendimento de regiões afastadas.

“O AFC é que faz a coordenação das frequências para que não se haja interferência com enlaces de caráter primário. O 6 GHz está preparado com o AFC para isso”, disse.

Durante a coletiva, representantes da indústria defenderam que os equipamentos e dispositivos já estão prontos para operar na nova configuração. Segundo executivos da Ruckus, a maior parte dos smartphones atuais já suporta Wi-Fi em 6 GHz.

“É seguro dizer que 90% dos celulares que vocês estão segurando já permitem o uso da frequência”, afirmou representante da fabricante.

Os fabricantes também relataram resultados de desempenho superiores aos observados nas faixas hoje utilizadas para Wi-Fi. Em um dos testes apresentados, a conexão atingiu taxas próximas de 5,7 Gbps em um ambiente com alta concentração de usuários e interferências.

Soberania digital

A Abrint também associou a expansão do Wi-Fi outdoor à expansão de serviços via satélite no Brasil. O presidente da entidade, Breno Vale, afirmou que a ausência de alternativas viáveis para atendimento remoto pode ampliar a dependência de soluções estrangeiras.

“Se não for dessa forma, essa comunidade vai procurar uma alternativa. E qual é a alternativa hoje disponível? Uma conexão satelital que não é de nenhum fornecedor nacional”, disse.

Segundo ele, o uso do Wi-Fi outdoor poderia permitir a ampliação de cobertura de provedores regionais em localidades onde a implantação de fibra óptica não é economicamente viável.

Basílio Perez afirmou que o modelo poderia reduzir custos de expansão em áreas rurais e afastadas. “Com rádio, a gente tem essa possibilidade. É muito mais barato para nós do que fibra”, declarou.

A coletiva também trouxe comparações internacionais. Representantes da indústria citaram que Estados Unidos e Canadá já utilizam a tecnologia em toda a faixa de 6 GHz, inclusive em ambientes de alta densidade como estádios e grandes eventos. Segundo Basílio Perez, a Copa do Mundo nos EUA deverá utilizar a tecnologia de forma ampla antes mesmo da Copa Feminina no Brasil.

“Aqui não vai funcionar bem por quê? Porque não estava liberado”, afirmou.

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