700 MHz: Teles regionais ocupam lugar da Oi como quarta competidora nacional no celular

Doze anos depois, três grupos de atuação regional ficaram com o espectro em 700 MHz que a Anatel reservou para a Oi ainda quando da implementação do 4G no país. O leilão realizado nesta segunda, 4/5, foi, na verdade, a terceira tentativa da agência de turbinar um quarto competidor nacional na telefonia móvel – após a frustração de 2021. Mas a Anatel aposta que da combinação desse espectro bom para cobertura, com os nacos de 3,5 GHz que cada uma delas já possui, a concorrência ficará mais acirrada.

“Com o impacto da saída do quarto operador, que era Oi Móvel, a Anatel tem feito todo um trabalho de nivelar as condições competitivas e viabilizar uma quarta operação, mesmo que seja regional. Portanto, estamos mantendo a consistência, a promoção da competição e hoje coroamos justamente isso, entregando mais espectro para que esses entrantes possam fazer essa combinação de frequências e trazer uma operação que seja viável”, afirmou o superintendente de competição da Anatel, José Borges, após a licitação desta segunda.

Segundo ele, “a faixa de 700 MHz vem justamente para dar mais condições para que esses regionais possam competir. E regionalização não é por acaso. A gente entende que a barreira de entrada no mercado é muito elevada e o desenho regionalizado, com oferta de espetro para esses operadores, é fundamental para que o processo competitivo seja oxigenado e que isso se transforme em serviço para o usuário, trazendo mais opções”.

Lá em 2012, a Oi já não teve fôlego de ir para um leilão de espectro – prenúncio da primeira recuperação judicial de 2016. Mais tarde, em 2021, a Anatel apostou em uma rede neutra nacional em 700 MHz, acreditando que esse operador faria negócio com as empresas regionais que, naquele leilão, compraram fatias de 3,5 GHz, viabilizando o 5G. A ideia não vingou, porque os planos da vencedora de então, a Winity, envolviam alugar o espectro para a Vivo – o que a Anatel não permitiu, por ir contra o plano de fortalecer as regionais.

“É meio que mandatório ter essa faixa sub 1 GHz para fazer essa combinação de capacidade com cobertura. Esperávamos conseguir isso ainda no leilão passado, mas como quem ganhou devolveu a faixa, não ocorreu. Agora temos essa oportunidade”, destacou o superintendente de Outorgas e Recursos à Prestação e presidente da comissão de licitação, Vinícius Caram.

Esse espectro, então, foi repartido em cinco regiões geográficas e vendido separadamente no leilão desta segunda. A Brisanet levou dois nacos, Nordeste e Centro-Oeste, a Unifique outros dois, a região Sul além do Norte e São Paulo, uma vez que ela é a controladora do Consórcio Amazônia 5G. E, finalmente, a Iez! ficou com a faixa para atender os estados de Minas Gerais, Rio de Janeiro e Espírito Santo.

Para o presidente da Brisanet, José Roberto Nogueira, o desenho de um quarto concorrente faz sentido. “Em 2021, a Anatel teve boa intenção de apostar na rede neutra, mas houve um movimento que atrapalhou. Agora esperamos avançar mais rápido. O Brasil precisa de uma quarta operadora. E nós, regionais, cada um na sua região, mas em conjunto, forma a quarta operadora e ela tem uma relevância para o país astronômica.”

“Afinal”, emenda o executivo, “quem vai chegar nos rincões do país, nas regiões mais remotas, é quem é focado e tem DNA para isso. São as regionais que vão chegar em pequenas cidades. Já em 2021 abraçamos mais da metade de todos os compromissos de cobertura rural do país. E precisamos dar continuidade.”

Com espectro em duas regiões, a Brisanet foi uma das principais vencedoras. A outra foi a Unifique, que levou a região Sul e também São Paulo e a região Norte, nesse caso por meio do Consórcio Amazônia 5G, do qual é sócia controladora. Tanto que a estratégia de implementação é conjunta.

“Nossa parceria e em 3,5 GHz e também inclui os 700 MHz, é uma operação conjunta. Mas a Unifique faz a implementação em São Paulo e a o grupo Amazônia 5G vai implementar as as ERBs na região Norte. Já temos os equipamentos contratados. A parte de rede estrutural já está pronta, o backhaul. Agora é fazer as ERBs. Na região Norte estaremos com uma operação só, com a Amazônia 5G, mas com os parceiros como sócios”, diz o CEO do Consórcio Amazônia 5G, Luiz Cláudio Pereira.

Tags

Compartilhe

Brisanet estreia no Centro Oeste já com a faixa de 700 MHz
Brisanet estreia no Centro Oeste já com a faixa de 700 MHz
Parlamentares tentam retomar cronograma para PL de IA
Parlamentares tentam retomar cronograma para PL de IA
TIM retoma serviços financeiros em parceria com PicPay
TIM retoma serviços financeiros em parceria com PicPay
Para iuh!, combinação de redes de acesso é o melhor modelo para promover inclusão
Para iuh!, combinação de redes de acesso é o melhor modelo para promover inclusão
Modelo de venda dos 700 MHz visa fortalecer o modelo de quatro operadores, diz Anatel
Modelo de venda dos 700 MHz visa fortalecer o modelo de quatro operadores, diz Anatel
TIM anuncia parceria com PicPay para serviços financeiros
TIM anuncia parceria com PicPay para serviços financeiros
Amazônia 5G manterá parceria com a Unifique nos 700 MHz em SP
Amazônia 5G manterá parceria com a Unifique nos 700 MHz em SP
Lei endurece punição para roubo de cabos de telecom e celulares
Lei endurece punição para roubo de cabos de telecom e celulares
Next torna-se distribuidora oficial da Fiberhome no Brasil
Next torna-se distribuidora oficial da Fiberhome no Brasil
dia em 12 meses
Com SEI, Ribeirão das Neves, em Minas, automatizou 8 milhões de páginas de papel /dia em 12 meses