
O CTO da Claro, André Sarcinelli, fez uma avaliação crítica da evolução do 5G Standalone (SA) no Brasil e afirmou que a tecnologia ainda está distante das expectativas criadas durante o leilão de frequências realizado em 2021. Para o executivo, a infraestrutura foi implantada, mas o ecossistema necessário para viabilizar novas receitas e aplicações ainda não amadureceu.
“O 5G SA não decolou no Brasil”, afirmou durante painel sobre o futuro das redes móveis, em evento organizado pelo site Teletime.
Segundo Sarcinelli, a indústria criou expectativas elevadas para aplicações como redes privativas, IoT avançada, automação industrial e serviços com requisitos diferenciados de latência, mas a adoção tem ocorrido em ritmo inferior ao previsto.
“Não é ter tecnologia que automaticamente vai habilitar os casos de uso do mercado. A gente precisa de empresas, precisa de ecossistemas, precisa dos devices, precisa de comunicação e precisa de coragem para fazer essa evolução”, declarou.
Redes privativas e IoT abaixo do esperado
Na avaliação do executivo, tanto as redes privativas quanto aplicações de Internet das Coisas ainda avançam de forma gradual. “O mercado de IoT que se propagava desde o 4G decolou também pouco”, afirmou. Segundo ele, grande parte das conexões M2M continua operando sobre redes legadas. “Se a gente olha hoje, a grande volumetria desse mercado de coisas conectadas ainda vem do 2G.”
Sarcinelli afirmou que, na prática, o principal papel do 5G atualmente é absorver tráfego migrado do 4G. “Hoje a gente está usando o 5G para fazer o offload dos clientes que vieram do 4G. Basicamente é isso.”
5G Advanced e refarming
O executivo também abordou a evolução para o 5G Advanced. Segundo ele, a tecnologia está sendo utilizada inicialmente pela operadora em ambientes de alta concentração de usuários, como estádios e locais de eventos, onde a demanda por uplink é mais intensa. “A Claro já instalou o 5G Advanced em estádios e lugares de alto tráfego”, disse.
Para os próximos anos, a operadora aposta na migração gradual do espectro atualmente utilizado pelo 4G para o 5G. “Vamos começar a fazer o refarming do 4G para o 5G”, afirmou.
Ondas milimétricas seguem subutilizadas
Sarcinelli também criticou o baixo aproveitamento da faixa de ondas milimétricas adquirida pelas operadoras no leilão do 5G. “É uma verdadeira vergonha pensar que o mercado fez uma aquisição, fez a obrigação, colocou bilhões de reais e a capacidade espectral está ociosa”, observou.
Segundo ele, a limitação está principalmente na disponibilidade de dispositivos compatíveis no mercado brasileiro. Não há smartphones habilitados por aqui, e o ponto de acesso FWA ainda é caro, adequado para situações muito específicas.
Por tudo isso, ele considera prematuro discutir novas frequências para aplicações móveis. “Eu não vejo utilidade do 6 GHz antes de 2030”, concluiu.
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