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Telcos usam cloud para inovar, mas ignoram personalização de serviços, aponta análise do BCG

Em seu novo estudo “How Telcos Can Find the Right Balance in the Cloud”, o Boston Consulting Group (BCG) destaca que, em um cenário de rápida evolução tecnológica, empresas de telecomunicações (telcos) entendem que as redes do futuro serão baseadas em virtualização total. Por isso, elas estão apostando na transição para uma arquitetura baseada em nuvem e buscando encontrar o equilíbrio entre as soluções pública e privada para maximizar a flexibilidade, reduzir custos, garantir um crescimento sustentável e gerar retornos positivos para o negócio.

Para sair na frente, as telcos devem se concentrar no que mais importa, segundo o BCG: criar produtos e experiências únicas e diferenciadas. Com a nuvem, elas poderão incorporar novos recursos por meio de APIs unificadas, empregar inteligência artificial — incluindo IA generativa — para automação, otimização e orquestração, além de implementar tecnologias de rede, como o 5G autônomo, e padrões emergentes, como a rede de acesso de rádio aberto.

O levantamento ressalta que, mesmo cientes da importância dessa mudança, as telcos não a estão considerando como urgente, principalmente porque envolve desafios significativos, como alto investimento, necessidade de repensar estratégias e a complexidade de integrar serviços.

A fim de ajudar as companhias no seguimento deste processo, os hyperscalers — grandes provedores de nuvem pública — estão trabalhando para reduzir preocupações com privacidade de dados, conformidade regulatória e outros riscos. Além disso, eles oferecem ferramentas e soluções expressamente projetadas para suportar operações de rede, com uma camada universal para executar cargas de trabalho (que representam de 70% a 80% do total) e um conjunto comum de ferramentas para integrá-las, operá-las e monitorá-las – incluindo o sistema de suporte empresarial (BSS) e o sistema de suporte operacional (OSS). Assim sendo, as funções de rede representam de 70% a 80% da carga total de trabalho.

Por outro lado, muitas telcos ainda lutam para desenvolver uma infraestrutura de nuvem privada flexível, escalável e altamente automatizada. Além do trabalho, manutenção e energia elétrica, elas devem considerar o custo de complexidade de adaptar sistemas subjacentes (e sobrepostos), agora e no futuro, assim como os custos de oportunidade, uma vez que os recursos alocados não estão disponíveis para outras iniciativas.

Arquétipos de nuvem

De acordo com o BCG, para a maioria das telcos, o melhor caminho para concentrar recursos em inovação tem sido a nuvem pública. Entretanto, três arquétipos ainda estão em evolução:

• Privada. Embora o equilíbrio ainda penda fortemente para uma nuvem telco privada, aproveita-se estrategicamente a nuvem pública do hyperscaler para realizar certos benefícios ou como um recurso de suporte para ajudar a fornecer serviço durante períodos de pico de demanda.

• Alimentada por hyperscaler. As telcos utilizam mais a nuvem pública, mas mantêm um forte foco interno. Isso envolve o uso inteligente de uma plataforma dentro das instalações para desbloquear oportunidades de perceber benefícios do melhor dos dois modelos e evitar as altas taxas de entrada e saída que os hyperscalers cobram para mover dados dentro e fora de sua nuvem pública.

• Pública. Apoiadas por parcerias estratégicas de longo prazo ou até acordos de codesenvolvimento, as telcos optam por seguir com o modelo hyperscaler, com baixos investimentos iniciais, aproveitando o dimensionamento instantâneo para novos produtos e ofertas de serviços, rápido tempo de lançamento no mercado e liberação de recursos internos para atividades que agregam valor. Contudo, elas precisam avaliar as implicações dessa escolha para controle, personalização, conformidade e realizar uma boa gestão financeira, otimizando continuamente as cargas de trabalho para manter os custos sob controle.

A nuvem tem sido um disruptor e um acelerador de negócios para muitas indústrias, e as operadoras de telecomunicações podem se juntar a elas escolhendo o melhor arquétipo para a sua realidade, ou seja, aquele que pode minimizar os riscos, maximizar as oportunidades e construir um verdadeiro motor para um crescimento futuro sustentável.

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