
A soberania digital da Amazônia depende da implantação de redes resilientes, da proteção dos dados e de uma atuação coordenada do Estado na expansão da infraestrutura. A avaliação foi apresentada por Danielle Ayres, diretora do Departamento de Segurança da Informação do Gabinete de Segurança Institucional da Presidência da República (GSI), durante painel do Amazon ON 2026, em Manaus (AM)*.
Segundo Danielle, embora a implantação das redes seja financiada majoritariamente por empresas privadas, cabe ao poder público estabelecer políticas e coordenar a participação dos diferentes agentes.
“A gente tem que recuperar alguma parte do papel do Estado como promotor de um processo de governança que coordena as possibilidades de uma série de atores do sistema em cooperar”, defendeu.
A diretora do GSI citou experiências internacionais em que políticas públicas, regras e mecanismos de financiamento são utilizados para estimular investimentos em infraestrutura. “O grande investimento hoje, majoritariamente na área de distribuição de rede, é privado. Mas o incentivo do desenvolvimento tem e deve acontecer na mão do Estado”, acrescentou.
Segurança deve acompanhar a digitalização
Danielle também defendeu que a segurança cibernética seja incorporada desde o início aos processos de digitalização. Para ela, os dois temas não podem mais ser tratados como atividades separadas, inclusive nas pequenas e médias empresas.
Entre as iniciativas discutidas no governo, a diretora mencionou a criação de linhas de financiamento voltadas ao desenvolvimento da segurança cibernética nesses negócios. Os recursos poderiam ser associados ao cumprimento de requisitos, como a capacitação dos trabalhadores.
Ao abordar a infraestrutura necessária para conectar a Amazônia, Danielle disse que os projetos devem considerar o uso de energia renovável, a preservação dos ecossistemas e a integração com as características naturais da região. “Esses modelos podem ter alguns custos a mais, podem ter tempos de desenvolvimento maiores, mas eles estão conectados com aquilo que nós estamos chamando de desenvolvimento de soberania”, declarou.
*O jornalista viajou a convite da organização do Amazon On
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