
A Qualcomm quer ampliar sua atuação no Brasil para além dos smartphones e transformar o país em mercado de aplicações reais de inteligência artificial de borda. A estratégia foi apresentada nesta terça-feira, dia 5, no Qualcomm Innovation Summit, em São Paulo, evento em que a companhia reuniu parceiros, clientes, imprensa e autoridades para demonstrar soluções em PCs, telecomunicações, data centers, IoT, conectividade sem fio e desenvolvimento de ecossistema local.
O foco da empresa está em aproximar o processamento de IA dos dispositivos, das redes e das operações empresariais. A Qualcomm apresentou tecnologias baseadas nas plataformas Snapdragon e Dragonwing, com demonstrações de Wi-Fi 7, AI Gateway, Dragonwing Service Defined WiFi, Cloud AI 100 Ultra e aplicações de IoT em setores como agro, segurança pública, transporte e indústria.
Em conversa com jornalistas, Luiz Tonisi, presidente da Qualcomm América Latina, afirmou que a prioridade não é apenas mostrar tecnologias globais, mas comprovar a existência de projetos operando no país.
Mobile seguirá relevante, mas novos negócios vão ganhar peso
Tonisi disse que a Qualcomm trabalha para equilibrar sua composição de negócios nos próximos anos. Segundo ele, o plano industrial e financeiro da companhia prevê que o mobile represente metade do negócio até 2029, sem queda da área de smartphones.
“Se você olhar o nosso plano industrial, o nosso plano financeiro, o mobile será 50% do negócio. E não é que o mobile vai cair. Na verdade, os demais produtos vão crescer numa velocidade tremenda”, afirmou.
A mudança, segundo o executivo, passa pela plataforma Dragonwing, voltada a aplicações corporativas. Para a empresa, o objetivo é levar capacidade computacional e IA para empresas.
Um dos eixos da estratégia no Brasil é a visão computacional. Tonisi citou aplicações em varejo, mineração, óleo e gás, agro, segurança e transporte. A tese é que câmeras, sensores e processamento local permitam analisar eventos em tempo real, sem depender integralmente da nuvem.
“Quando a gente fala do carro conectado, por exemplo, não é só um carro conectado, é uma série de tecnologias embarcadas que permite que ele tome ações baseadas no que ele vê, literalmente. A máquina enxerga.”
PCs com IA entram na disputa de longo prazo
No mercado de computadores, a Qualcomm apresentou a série Snapdragon X2, que chegará ao Brasil no ASUS Zenbook A16, equipado com Snapdragon X2 Elite Extreme, com NPU dedicada para aplicações de IA e foco em eficiência energética. Tonisi afirmou que a entrada da Qualcomm no mercado de PCs deve ser analisada em um horizonte de longo prazo. “Isso aqui é uma corrida de maratonista”, disse.
O executivo sustentou que a principal diferença está no desempenho fora da tomada. “É o único computador que, mesmo fora da tomada, garante a mesma performance”, afirmou.
Data centers terão detalhamento em junho
A Qualcomm também apresentou sua estratégia para infraestrutura de IA em data centers, com o acelerador Cloud AI 100 Ultra. A solução foi desenvolvida para atender à demanda por IA em data centers com menor consumo de energia e cita a aquisição da Alphawave Semi, especializada em conectividade óptica, como reforço ao portfólio de infraestrutura de alta velocidade.
Tonisi afirmou que a companhia pretende detalhar sua estratégia de data centers em junho. “Dia 24 de junho faremos o nosso disclaimer da nossa estratégia de data center e possíveis acordos comerciais”, disse.
O executivo afirmou que o foco passa por inferência de IA e por canais de distribuição como integradores e operadoras. “O que a gente está buscando é exatamente isso, a inferência”.
IoT no agro, segurança e transporte
No setor de IoT, a Qualcomm apresentou aplicações ligadas ao agronegócio, incluindo rastreamento de rebanhos com tecnologia baseada em seus chips. O evento também destacou soluções em saúde, segurança pública e cidades.
Tonisi também citou aplicações em transporte e logística. Segundo ele, soluções da MaxTrack usam visão computacional em caminhões e veículos pesados para analisar o que ocorre dentro e fora dos veículos. O executivo afirmou que esse tipo de aplicação precisa ter custo compatível com a realidade operacional das empresas.
Operadoras são canal para B2B
Tonisi afirmou ainda que as operadoras têm papel relevante na estratégia B2B da Qualcomm. Segundo ele, elas podem atuar tanto como consumidoras de tecnologia quanto como canal para venda de soluções a empresas. “As operadoras são grandes parceiros no canal de B2B, elas vendem vários produtos que a gente tem, então eles também são consumidores”, disse.
Ao comentar conectividade fixa sem fio, Tonisi afirmou que FWA e fibra podem conviver no mercado brasileiro. “Eu concordo que o FWA é o futuro. Uma coisa não substitui a outra”, afirmou.
Segundo ele, a disponibilidade de fibra não significa, necessariamente, que todos os usuários tenham opção efetiva de escolha dentro de um prédio ou área de atendimento. “Eu acredito que tem mercado para os dois. Eu tenho fibra na minha casa. Você pode perguntar, ‘você vai tirar a fibra da sua casa?’ Não, se eu já estou atendido não preciso substituir”, disse.
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