plataformas-digitais:-anatel-propoe-‘estrategia-multilateral’

Plataformas digitais: Anatel propõe ‘estratégia multilateral’

Anatel propõe à Fazenda 'estratégia multilateral' na regulação de plataformas
Anatel segue defendendo atualização de atribuições para regular plataformas digitais| Foto: Carolina Cruz/Tele.Síntese

A Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) reforçou perante o Ministério da Fazenda o pleito como futura reguladora de aspectos concorrenciais do mercado digital, mas mantendo uma “estratégia multilateral” com outros órgãos. O documento, assinado pela Superintendência de Competição, foi apresentado na Tomada de Subsídios sobre o tema, detalhando a posição da autarquia sobre diversos aspectos a serem analisados em eventual norma a ser submetida às plataformas. 

A Tomada de Subsídios foi aberta desde 19 de janeiro e seria finalizada na última semana, mas o governo decidiu prorrogar até 5 de maio deste ano. Ao todo, a Fazenda recebeu 72 contribuições até esta quarta-feira, 20. Um dos pontos em debate ataca justamente o principal impasse político para o avanço do tema no Congresso Nacional: “É necessário haver um regulador específico para supervisão e regulação de grandes plataformas digitais no Brasil, considerando-se apenas a dimensão econômico-concorrencial?”, questionou o ministério. 

Ao comentar o tópico, a Agência afirmou que “é essencial a figura do órgão regulador específico”, tanto quanto a necessidade da própria regulação. “A resposta a esta questão vem sendo dada por diversos países mundo afora. Não só é necessária a regulação dos mercados digitais e um órgão regulador fortalecido como é urgente essa demanda”, consta na manifestação.

O reforço da candidatura da Anatel como reguladora ocorreu quando a Fazenda questionou sobre a necessidade de “criar um órgão específico” responsável pelas plataformas. 

“Algumas características dão à Anatel uma posição única no Brasil para desempenhar o papel de regulação no mundo digital, entre elas a experiência tecnológica, a representatividade em todos os estados do país, o pessoal qualificado, a experiência fiscalizatória e sancionatória e o fato de ser uma Agência pronta para o desafio, que não consistiria em alto custo para a sociedade pois não requer todo o trabalho, investimento e tempo para criação de uma nova entidade”, consta na manifestação.

Em seguida, a Anatel destaca que “naturalmente, instituições como o CADE (Conselho Administrativo de Defesa Econômica), a ANPD (Autoridade Nacional de Proteção de Dados (ANPD), a Ancine (Agência Nacional do Cinema) e outros não teriam suas competências suprimidas, e podem compor uma estratégia multilateral de regulação dos mercados digitais”. 

“Importante mencionar que a Anatel atualmente já atua em parceria com o CADE e outros agentes em discussões sobre regulação e análises de casos concretos. Portanto, o que se nota é uma complementaridade de atuações em um assunto altamente complexo”, afirmaram os superintendentes. 

Entre as justificativas para o posto, a Superintendência de Competição citou levantamento da Cullen International, que apurou qual órgão deveria atuar como coordenador de serviços digitais (Digital Services Coordinator – DSC) no âmbito do Digital Services Act – DSA na Europa, e identificou que dos 27 países membros da União Europeia, 12 designaram (ou provavelmente designarão) o regulador das telecomunicações, seis uma solução de regulação convergente (regulador de mídia + regulador de telecom), quatro o regulador de mídia e três uma autoridade de concorrência ou de defesa do consumidor. 

“O que provavelmente foi observado pela maioria dos países europeus, e cuja realidade não é diferente no Brasil, é que não há órgão mais preparado para lidar com as plataformas digitais do que o regulador de telecomunicações. No Brasil, a própria Anatel já vem atuando dentro do alcance de suas competências para regular relações entre prestadoras dos serviços de telecomunicações e plataformas digitais que prestam serviços de valor adicionado”, argumenta a Agência.

Quem deve ser regulado, para Anatel

Em outro tópico da Tomada, a Agência apresenta resistência à definição de quais plataformas deveriam ser reguladas a partir da receita, pois “há mercados em que os agentes não têm um volume financeiro significativo, mas atuam como controladores de acesso para mercados ou funcionalidades essenciais a diversas empresas. Esse tipo de dominância poderia ser captado pelo número de usuários corporativos e usuários finais (pessoas físicas) pertencentes à base do controlador de acesso essencial”.

Ainda de acordo com a visão da Superintendência de Competição da Anatel, “em função das constantes transformações tecnológicas e de modelos de negócios dos mercados digitais, uma recomendação possível seria delegar ao regulador a atualização dos limiares e a fixação de novos critérios em função da complexidade de cada segmento analisado”.

Entre outros pontos, a Agência também defendeu “normas flexíveis”, além de “regras de harmonização regulatória [considerando o contexto global] e até, sendo o caso, de extraterritorialidade, sempre considerando as práticas e padrões internacionais recomendados”.

AGU troca Microsoft pelo Google por custo e para ter mais Inteligência Artificial
Sateliot e CPQD validam IoT por satélite em área remota no Brasil
Sateliot e CPQD validam IoT por satélite em área remota no Brasil
TelComp defende telecom como estrutura crítica no espaço urbano
TelComp defende telecom como estrutura crítica no espaço urbano
Edson Holanda será relator da revisão do R-Ciber na Anatel
Edson Holanda será relator da revisão do R-Ciber na Anatel
Pieranti: Anatel, um dínamo na implementação de políticas públicas para comunicações
Pieranti: Anatel, um dínamo na implementação de políticas públicas para comunicações
Skyone vai às compras em cloud para avançar no Brasil
Por Agentes IA, Salesforce vai às compras e investe US$ 3,6 bilhões
Fox agita o mundo do streaming com compra da Roku por cerca de US$ 22 bi
Veja no Boletim TELETIME: consolidação e empregos em telecom
Veja no Boletim TELETIME: consolidação e empregos em telecom
Amazon denunciou Anthropic. Empresas de segurança cibernética reagem e alertam para perigo da decisão