OpenCDN bate recorde de dados e atinge marca de 1 Tb/s de tráfego total

Criado para descentralizar a distribuição de conteúdos digitais no país, o OpenCDN, projeto do Núcleo de Informação e Coordenação do Ponto BR (NIC.br), atingiu na sexta-feira, 24 de abril, a marca de 1 Tb/s de tráfego total. Mais do que um recorde no volume de dados, o número aponta para uma Internet mais eficiente, resultando numa melhor experiência online para milhões de brasileiros.

A iniciativa baseia-se no compartilhamento de infraestrutura, permitindo que Redes de Distribuição de Conteúdo (CDNs – Content Delivery Networks) instalem servidores de cache em centros de dados parceiros espalhados pelo território nacional. Esses servidores, que armazenam temporariamente cópias de conteúdos digitais muito acessados, conectam-se através do OpenCDN aos Pontos de Troca de Tráfego do IX.br, criando “atalhos” para os dados. Ao encurtar a distância até o usuário final, a infraestrutura promove uma entrega mais ágil e estável, com menor índice de falhas e custos operacionais reduzidos.

“O OpenCDN ataca um problema estrutural da rede no país: a concentração de conteúdos em poucos grandes centros, como São Paulo, Rio de Janeiro e Fortaleza. Ao trazer ‘cópias’ de conteúdos de plataformas como Globo, Netflix, Google, Meta e outros para mais perto de cidades das diferentes regiões, diminui a dependência de conexões de longa distância. Essa descentralização reduz a latência e os congestionamentos, além de melhorar a estabilidade da conexão em horários de pico, aumentando de forma perceptível a qualidade da experiência dos usuários”, explica o Gerente de Projetos e Desenvolvimento no NIC.br, Antonio M. Moreiras.

Esse projeto do NIC.br tem cono objetivo fortalecer a infraestrutura da Internet no Brasil, estimulando o ecossistema local e aprimorando a conectividade em diversas regiões. Segundo Moreiras, atingir 1 Tb/s é um marco histórico. “Essa conquista é resultado do crescimento contínuo do número de CDNs interessadas em instalar seus caches no OpenCDN e de provedores interessados em acessá-los. O sucesso da iniciativa também está diretamente ligado à atuação dos nossos parceiros, sejam públicos ou privados. Eles cedem datacenter, energia, linques e infraestrutura física, viabilizando os custos mais baixos ou até, em algumas localidades, a ausência de custos, no acesso a esses conteúdos pelos provedores. A cooperação de diversas empresas e entidades públicas permite que a descentralização seja mais barata e tenha maior escala.”

Economia estrutural

O OpenCDN é uma infraestrutura neutra e compartilhada, que viabiliza a presença de CDNs comerciais em regiões onde não haveria investimentos próprios no curto ou médio prazo. Operando sem fins lucrativos, com custos rateados entre os participantes e com a gestão do NIC.br, a iniciativa cria condições para melhor organização e uma economia estrutural relevante no ecossistema de conectividade brasileiro.

A marca de 1 Tb/s de tráfego agregado significa que esse é volume de dados entregue localmente, eliminando a necessidade de os provedores buscarem esses mesmos conteúdos via trânsito IP ou enlaces de transporte de longa distância. Considerando que as referências de mercado estão entre R$ 0,80 e R$ 3 por Mbps, o projeto economiza gastos que somariam entre R$ 9,6 milhões e R$ 36 milhões por ano no agregado dos provedores nacionais, fortalecendo a sustentabilidade financeira de toda a rede.

Para os pequenos e médios provedores (ISPs), o OpenCDN é altamente estratégico ao permitir o acesso direto às principais CDNs. Como cerca de 70% do tráfego típico de um ISP é composto por esse tipo de conteúdo, trazê-lo para o IX.br local muda o panorama econômico por reduzir drasticamente os gastos com trânsito IP. Além da economia financeira, o provedor passa a ter um melhor controle sobre sua engenharia de tráfego, resultando em uma rede mais robusta e competitiva.

O OpenCDN começou a operar em junho de 2018, com um piloto em Salvador (BA). Hoje, está presente, também, nas cidades de Manaus (AM), Brasília (DF), Belo Horizonte (MG), Recife (PE), Caruaru (PE), Feira de Santana (BA), Belém (PA) e Goiânia (GO) e, em breve, chegará em Campo Grande (MS).

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