
A Omnia levou ao TS Data Centers, AI & Cloud Summit 2026, em Santana de Parnaíba, a defesa de maior atenção de política pública ao setor e detalhou sua aposta no Ceará como base para cargas globais. O presidente Rodrigo Abreu afirmou que a empresa vê os data centers como parte da infraestrutura digital do país e associou o avanço dos projetos a condições regulatórias e tributárias mais competitivas.
Abreu disse que a infraestrutura digital combina fibra, torres, ativos móveis e data centers, mas observou que, nesse conjunto, os data centers têm uma característica própria. “Ele sempre foi privado, ele já nasceu privado”, afirmou. Segundo o executivo, isso exige atenção maior de política pública, porque o setor não teve a mesma trajetória de desenvolvimento regulatório de outras infraestruturas. “No caso do data center, a gente está começando a engatinhando em relação à política pública”, disse.
Projeto em Pecém
No painel, Abreu lembrou que a Omnia já desenvolve “o maior projeto de data center da América Latina, que é no Complexo do Pecém, Ceará”. Ao detalhar o projeto, Abreu afirmou que a companhia avaliou abundância de energia renovável, área industrial disponível, acesso logístico, proximidade de cabos submarinos e posição geográfica para conexão internacional.
O projeto foi concebido para atender cargas globais. “A gente acredita que sim, vai existir espaço para tratar cargas globais”, afirmou, ao mencionar também a possibilidade de “criar aqui fábricas de AI”, data centers edge e infraestrutura para inferência local.
ZPE e carga tributária
Um dos pontos centrais da fala de Abreu foi a necessidade de equiparar as condições do Brasil às de outros mercados. Segundo ele, a empresa encontrou na ZPE do Ceará um diferencial para iniciar o projeto, mas a discussão não deveria ficar restrita a esse modelo. E defendeu que a competitividade tributária seja ampliada também para projetos voltados ao mercado doméstico. “Precisa ter esse benefício em Santana de Parnaíba, no Rio Grande do Sul, no Rio de Janeiro, precisa ter esse benefício no Brasil inteiro”, disse, ao tratar de uma condição de competitividade maior para o país.
Abreu afirmou ainda que a principal dificuldade do projeto foi habilitar a operação na ZPE para prestação de serviços. Segundo ele, o processo foi “longuíssimo, muito detalhado, com muita burocracia” e exigiu interlocução com poder público local, estadual e federal.
Ao final, o executivo afirmou que o maior desafio não foi apenas estruturar o projeto, mas convencer um grande player global de que o Brasil reúne previsibilidade regulatória e capacidade de execução. “Sabe qual foi nosso principal desafio? Convencer um grande player global que o Brasil tem essa vocação, essa capacidade do ponto de vista de estabilidade e previsibilidade regulatória, e capacidade de fazer as coisas andarem”, disse. Esse esforço de apresentar o país ao investidor segue necessário para a atração de novos projetos.
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