Moody’s: energia e capital limitarão expansão dos data centers para IA

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A expansão dos data centers que darão suporte à IA na América Latina será condicionada pela disponibilidade de energia, capacidade de transmissão elétrica e acesso a financiamento, e não pela demanda por aplicações da tecnologia. A avaliação é da Moody’s, que aponta esses fatores como os principais limitadores da infraestrutura necessária para acelerar a adoção da IA na região.

Segundo a agência, Brasil e Chile são os países latino-americanos mais bem posicionados para capturar os benefícios da inteligência artificial. Ainda assim, a região permanece atrás de economias mais desenvolvidas em inovação, investimentos, qualificação profissional, capacidade institucional e infraestrutura computacional, fatores que deverão limitar os ganhos de produtividade e ampliar as diferenças entre países e setores.

Data centers dependerão da expansão da infraestrutura elétrica

Para a Moody’s, o investimento em IA será sustentado pela expansão dos data centers, mas sua velocidade dependerá da capacidade de ampliar a infraestrutura energética.

Embora a América Latina disponha de ampla oferta de fontes renováveis, a agência afirma que limitações nas redes de transmissão, atrasos nos processos de licenciamento e gargalos para conexão de novos empreendimentos à rede elétrica deverão determinar o ritmo de implantação dessa infraestrutura.

O relatório ressalta que a demanda por aplicações de IA permanece elevada. O desafio está na oferta de energia, na capacidade de transmissão, na clareza regulatória e no acesso ao financiamento necessário para viabilizar novos investimentos.

Nesse cenário, as concessionárias de energia enfrentarão necessidades crescentes de capital para ampliar tanto a geração quanto as redes de transmissão e distribuição. Riscos de execução dos projetos e restrições tarifárias também poderão afetar o retorno desses investimentos.

IA deve ampliar eficiência nas telecomunicações

Entre os setores não financeiros, a Moody’s identifica consumo, telecomunicações e mídia como os mais bem posicionados para capturar ganhos com a adoção da IA. No setor de telecomunicações, a tecnologia deverá contribuir para aprimorar a execução comercial, otimizar a gestão de redes e das cadeias de suprimentos, ampliar a capacidade de análise de clientes e apoiar estratégias de monetização de serviços.

Ao mesmo tempo, a agência avalia que a IA tende a intensificar a concorrência em atividades padronizadas e baseadas em conhecimento, pressionando margens em diferentes segmentos. No setor de mídia, o relatório também aponta riscos de desintermediação decorrentes das mudanças na descoberta de conteúdo e na dinâmica da publicidade digital.

A adoção da tecnologia deverá permanecer concentrada entre empresas de maior porte e mais diversificadas, com maior capacidade de investimento.

Instituições financeiras ampliam vantagem competitiva

O relatório também aponta que a IA tende a reforçar as vantagens competitivas das maiores instituições financeiras latino-americanas. Bancos, gestoras de recursos e seguradoras de maior porte estão mais bem posicionados para ampliar receitas por meio da personalização de produtos, do aumento do engajamento dos clientes e da monetização de seus ecossistemas digitais. A escala, a disponibilidade de dados proprietários e a capacidade de investimento são apontadas como diferenciais para capturar esses ganhos.

Embora a IA possa reduzir barreiras relacionadas à disponibilidade de dados em mercados com elevada informalidade e baixa inclusão financeira, a Moody’s destaca que as instituições estabelecidas já realizaram investimentos relevantes em ecossistemas digitais e plataformas de pagamentos, ativos que continuam gerando informações estratégicas para seus modelos de negócio.

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