MCom quer reforçar seu papel como pasta da infraestrutura digital

O ministro das Comunicações, Frederico de Siqueira Filho, afirmou nesta quarta-feira, 5, que o governo federal pretende ampliar o protagonismo da infraestrutura digital nas políticas públicas para a Amazônia e revelou que o Ministério das Comunicações estuda mudar de nome e passar a se chamar Ministério das Comunicações e Infraestrutura Digital. A declaração foi feita durante a abertura do Amazon On, em Manaus (AM), evento voltado à conectividade e ao desenvolvimento sustentável da região.

Segundo o ministro, a mudança de nome busca refletir o papel estratégico da conectividade para o desenvolvimento econômico e social do país. “A nossa sugestão é que passe a ser Ministério das Comunicações e Infraestrutura Digital, para tocar essas políticas públicas e dar mais visibilidade ao que a gente vem fazendo”, resumiu.

Frederico afirmou que a expansão da infraestrutura digital na Amazônia não pode depender apenas da implantação de fibra óptica. Segundo ele, a estratégia precisa combinar diferentes tecnologias para superar as limitações logísticas da região. “A gente precisa pensar em soluções de satélites, pensar novos cabos, trazer uma grande engrenagem para que a gente possa ampliar e aumentar a capilaridade.”

Norte Conectado e serviços digitais

O ministro voltou a destacar o programa Norte Conectado, que utiliza cabos de fibra óptica instalados pelos leitos dos rios amazônicos para ampliar a conectividade em escolas, hospitais, órgãos públicos e comunidades isoladas. Para Frederico, a conectividade deve ser tratada como infraestrutura essencial para viabilizar serviços públicos digitais.

Como exemplo, citou a realização, no mês passado, da primeira telecirurgia robótica realizada pelo Sistema Único de Saúde (SUS), conectando um especialista de Barretos (SP) a um paciente localizado em Porto Velho (RO). “É através da infraestrutura digital que a gente vai aproximar os mais distantes e melhorar a qualidade dos serviços públicos para a nossa população”, disse.

O ministro afirmou ainda que as soluções para a Amazônia precisam considerar as características geográficas e culturais da região. “Essas condições exigem planejamento, inovação tecnológica e também conhecer a realidade cultural e as necessidades de cada território.”

Baigorri destaca evolução da conectividade

O presidente da Anatel, Carlos Baigorri, afirmou que a infraestrutura de telecomunicações da Amazônia avançou significativamente nos últimos anos, lembrando que a região dependia praticamente apenas de conexões via satélite antes da chegada dos cabos de fibra óptica.

Segundo ele, a ampliação da conectividade deverá permitir o desenvolvimento de novos serviços digitais voltados às populações indígenas, quilombolas e comunidades remotas. “Cada vez mais a conectividade da Amazônia é aumentada e isso vai refletir em projetos que mudem a realidade dos povos.”

Representando o governo do Amazonas, a secretária executiva de Administração, Andrea Barros, defendeu que projetos de conectividade e inovação respeitem as diferenças culturais entre os municípios amazônicos. Segundo ela, iniciativas voltadas às comunidades locais precisam ser construídas com participação da população para que tenham efetividade.

“Antes da gente pensar em qualquer inovação tecnológica, a gente precisa pensar e respeitar a cultura de cada local a que a gente quer chegar”, cobrou.

Realizado nos dias 5 e 6 de agosto, em Manaus, o Amazon On reúne representantes do governo, reguladores, empresas, universidades e organismos internacionais para discutir infraestrutura digital, inclusão digital, inteligência artificial, sustentabilidade e políticas públicas voltadas ao desenvolvimento da Amazônia. Entre os temas da programação estão modelos de financiamento para expansão da conectividade, infraestrutura regional e cooperação internacional.

*O jornalista viajou a Manaus a convite do Amazon On

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