IPO da CXMT cria gigante chinesa de memória avaliada em R$ 2,5 trilhões

CXMT memoria China

A fabricante chinesa de memórias ChangXin Memory Technologies (CXMT) estreou nesta segunda-feira, dia 27, na Bolsa de Xangai com valor de mercado superior a 3,2 trilhões de yuans (cerca de US$ 488 bilhões, ou R$ 2,5 trilhões em conversão direta), tornando-se a empresa mais valiosa do mercado acionário chinês.

A abertura de capital captou 57,92 bilhões de yuans (US$ 8,6 bilhões, ou R$ 44 bilhões), configurando o maior IPO já realizado por uma fabricante chinesa de semicondutores e o maior da Ásia em 2026. A operação reforça o posicionamento chinês em ampliar sua capacidade doméstica na produção de chips considerados essenciais para IA, computação de alto desempenho e data centers.

As ações encerraram o primeiro pregão com valorização de 465,82% sobre o preço da oferta, cotadas a 49 yuans, após atingirem alta intradiária superior a 535%. O volume financeiro ultrapassou 140 bilhões de yuans (R$ 106 bilhões) , recorde para uma única ação no mercado A da China.

Fundada em 2016, na cidade de Hefei, a CXMT tornou-se a principal fabricante chinesa de memórias DRAM, tecnologia utilizada em servidores de IA, computadores, smartphones, equipamentos de telecomunicações e outros dispositivos eletrônicos. O segmento é atualmente liderado por Samsung Electronics, SK Hynix e Micron Technology, mas a companhia chinesa vem ampliando sua presença global.

Dados da consultoria Omdia mostram que a CXMT alcançou 7,67% de participação no mercado mundial de DRAM no quarto trimestre de 2025, consolidando-se entre os maiores fabricantes globais do segmento.

A expansão acompanha o aumento exponencial da demanda por infraestrutura de IA. Servidores destinados ao treinamento e à operação de modelos de IA utilizam aproximadamente dez vezes mais memória DRAM do que servidores convencionais, impulsionando investimentos em capacidade produtiva em toda a cadeia de semicondutores.

Recursos financiam expansão

Os recursos captados na oferta pública serão destinados à ampliação da capacidade fabril, modernização dos processos de fabricação e desenvolvimento de novas gerações de memória DRAM.

Nos últimos três anos, a companhia investiu mais de 20,6 bilhões de yuans (cerca de R$ 15,5 bilhões) em pesquisa e desenvolvimento e acumulou cerca de 7 mil patentes, refletindo a prioridade dada ao avanço tecnológico da empresa.

O crescimento também aparece nos resultados financeiros. A receita alcançou 61,8 bilhões de yuans (R$ 47 bilhões)  em 2025, alta de 155,6% em relação ao ano anterior. Apenas no primeiro trimestre de 2026, o faturamento chegou a 50,8 bilhões de yuans (R$ 38,6 bilhões) , avanço de 719%, enquanto o lucro líquido atingiu aproximadamente 33 bilhões de yuans (R$ 25 bilhões).

Para o primeiro semestre deste ano, a companhia projeta receita entre 110 bilhões e 120 bilhões de yuans (entre R$ 83 bilhões e R$ 91 bilhões) , com lucro líquido entre 50 bilhões e 57 bilhões de yuans (entre R$ 38 bilhões e R$ 43 bilhões).

Ecossistema chinês envolvido

O IPO reuniu investidores estratégicos de diferentes setores considerados prioritários para a indústria chinesa de tecnologia, entre eles Alibaba Cloud, Xiaomi, ZTE, TCL, NIO, Chery e Transsion. A participação dessas empresas evidencia a convergência entre fabricantes de infraestrutura em nuvem, telecomunicações, eletrônicos de consumo e veículos inteligentes na expansão da capacidade doméstica de produção de semicondutores.

A oferta colocou aproximadamente 10% do capital da companhia no mercado.

A sede da empresa, em Hefei, também se consolidou como um dos principais polos chineses de semicondutores. O município reúne atualmente mais de 400 empresas da cadeia de circuitos integrados, formando um ecossistema voltado ao desenvolvimento e à fabricação de chips.

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