
O avanço da IA no Brasil foi tratado, no TS Data Centers, AI & Cloud Summit 2026, em Santana de Parnaíba, como tema ligado à infraestrutura digital, à disponibilidade de energia, à política pública para data centers e à segurança dos dados. Em painel sobre infraestrutura crítica e hubs regionais, Ricardo Caine, da Nokia, e Luciano Fialho, da Scala Data Centers, abordaram a capacidade de processamento em solo nacional e as condições para expansão dessa base no país.
Nokia destaca redes críticas e segurança dos dados
Na fala de Ricardo Caine, da Nokia, o foco recaiu sobre as consequências técnicas do avanço da IA. O executivo afirmou que, à medida que governo, empresas e cidadãos transferem atividades essenciais para a rede, essa rede passa a ter caráter crítico. “Quanto mais a gente coloca questões essenciais no nosso cotidiano na rede, a rede se torna crítica”, afirmou. Esse cenário exige estratégias de diversificação, resiliência e disponibilidade contínua. “A gente costuma chamar isso na Nokia de rede de missão crítica. São redes que não podem parar em momento algum”, disse.
Caine também associou a expansão da IA à segurança e à soberania dos dados. Os algoritmos estão amplamente disponíveis no mercado, mas o diferencial está na base usada para treinamento e operação. “Dados é o que faz a diferença, quando a gente fala em inteligência artificial”, afirmou. Para o executivo, esse tema tende a ganhar mais peso à medida que o país passe a desenvolver IA de forma mais ampla.
“A segurança vai acabar sendo um aspecto cada vez mais relevante”, disse, ao tratar do risco de vazamento de dados e da necessidade de redes seguras, com requisitos de latência, disponibilidade e proteção compatíveis com essas aplicações.
Ainda segundo o executivo, a IA tende a se disseminar no uso cotidiano. “A IA vai deixar de ser algo que alguma empresa norte-americana faz, uma empresa chinesa faz e cada vez mais fazer o uso desse tipo de tecnologia”, falou.
Scala liga IA a energia e política pública
Pela Scala, Luciano Fialho seguiu a mesma linha ao afirmar que o setor chegou a um “ponto de inflexão” no Brasil. Segundo ele, a expansão da infraestrutura digital passou a exigir coordenação com o poder público. “Os investimentos em infraestrutura digital precisam andar agora de mão dada com políticas públicas. Sem esse alinhamento, o Brasil não vai participar do cenário global”, afirmou.
Fialho também vinculou essa discussão ao aumento da demanda por processamento após a difusão da IA generativa. Ao relatar a reação da controladora da empresa depois do lançamento do ChatGPT, afirmou que a companhia passou a buscar no Brasil locais com grande oferta de energia para receber esse aumento de demanda.
A Scala identificou na região de Eldorado do Sul, próxima a Porto Alegre, condições para estruturar um projeto com base em disponibilidade energética e conectividade. “A gente aposta o Brasil como um hub de processamento de inteligência artificial, não só para o Brasil, mas para o mundo”, finalizou.
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