Dell: servidores de IA vão passar por transição em busca de alternativas de resfriamento

Servidores para inteligência artificial vão passar por uma transição para designs em escala de rack, incorporando tecnologias avançadas de refrigeração, como a refrigeração líquida, que utiliza fluidos dielétricos ou água para remover o calor de componentes de alta densidade. A busca por alternativas de resfriamento torna-se cada vez mais necessária à medida que as empresas se voltam para a IA e outras cargas de trabalho com uso intenso de computação, já que CPUs e GPUs de densidade mais alta geram muito mais calor.

Em conversa com a jornalistas na sede da Dell em Austin, Armando Acosta e David Schmidt, gerentes de produtos para servidores IA e PowerEdge na Dell Technologies, destacaram a importância da gravidade dos dados, com os clientes preferindo plataformas de IA locais devido à sua relação custo-benefício e controle de dados. O conceito de Data Gravity se refere a grandes volumes de dados atraindo aplicativos, serviços e outros dados, tornando-os difíceis de mover.

A conversa também abordou a demanda contínua por capacidade de data center, impulsionada por provedores de serviços de comunicação (CSPs) de segundo nível e clientes corporativos, e a relevância persistente de sistemas refrigerados a ar, apesar da ascensão da refrigeração líquida. A discussão ressaltou ainda a necessidade de uma infraestrutura de IA eficiente e escalável em diversos setores, incluindo manufatura, automotivo e varejo.

David Schmidt explicou que diante da transformação com IA, provavelmente, encontram-se dois tipos principais de clientes. Há aqueles que desejam adotar as plataformas maiores e grandes modelos de treinamento em seus ambientes, porque isso é essencial para seus negócios. Esses clientes estão redesenhando seus data centers, em alguns casos, construindo novos data centers, em um processo de design completo. O segundo grupo de clientes está usando IA em seus ambientes, porque sabem que é algo muito poderoso.

“Grandes empresas, ou empresas de todos os portes, estão ativamente projetando e implementando sistemas que podem executar tarefas de inferência, recuperação e aumento de dados, agregando valor às suas operações diárias e ajudando a otimizá-las”, assinalou Schmidt.

Acosta e Schmidt acrescentaram que os clientes continuam construindo data centers ou utilizando os existentes. “Data centers são apenas contêineres para os elementos de computação, armazenamento e inteligência artificial que mencionamos. Essa demanda está muito alta agora, e acho que será interessante observar, à medida que construímos o restante desses data centers, qual será o próximo passo nesse processo”, assinalou Acosta.

De acordo com eles, assim como vimos em ciclos ao longo das últimas duas ou três décadas, sempre há um ciclo de atualização que eventualmente acontece quando tecnologias mais atraentes surgem e os clientes avaliam se podem atualizar seus data centers existentes. “Acredito que agora eles construirão data centers com refrigeração líquida, alta eficiência energética e otimização de espaço”, assinalou Schmidt.

Contudo, os executivos refutaram a ideia de que os clientes vão abandonar os sistemas de resfriamento a ar tão cedo. “Sendo bem direto, eu diria que a questão é: por que usar refrigeração líquida? Ou qualquer tipo de resfriamento, seja com ventilador ou qualquer outra coisa? É para remover o calor. Então, soprar o ar quente para fora e removê-lo do data center é uma forma de remover o calor. Usar líquido para remover o calor de um chip é outra. Mas o que vimos até agora é que o design do servidor determina a quantidade de fluxo de ar que pode circular pelo sistema. Quanto maior o sistema, maior o fluxo de ar. Portanto, é uma questão de como você quer movimentar o ar pelo seu data center”, detalhou Schmidt.

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