
Uma análise da MegaEdu com base nos microdados do Censo Escolar 2025 aponta que 93% das escolas públicas brasileiras têm acesso à internet. Porém, segundo a organização, cerca de 9 mil unidades ainda seguem sem conexão, atendendo aproximadamente 540 mil estudantes.
De acordo com o levantamento, 8.467 dessas escolas estão nas regiões Norte e Nordeste. Nos estados da Amazônia Legal, como Pará, Amazonas e Maranhão, estão cerca de 5 mil unidades sem conexão.
A organização informa que aproximadamente 7 mil das 9 mil escolas ainda desconectadas devem receber internet por meio de políticas públicas voltadas à expansão da infraestrutura digital nas redes de ensino.
“A universalização da conectividade nas escolas públicas está ao alcance do país. Políticas estruturantes para a educação digital, como a Estratégia Nacional de Escolas Conectadas, são fundamentais para que esse objetivo seja alcançado, já que a iniciativa coordena diferentes fontes de financiamento, também entre União, estados e municípios e priorização de territórios historicamente vulneráveis”, afirma Cristieni Castilhos, CEO da MegaEdu.
Escolas relatam efeitos da conexão na rotina
No Centro de Ensino Professor José Cesário da Silva, em Açailândia, no Maranhão, o diretor Célio Rodrigues afirma que a internet passou a ser usada em atividades administrativas da escola. “Hoje conseguimos acessar os sistemas da secretaria, organizar informações dos alunos e resolver muitas demandas sem precisar sair da unidade”, diz.
No Pará, a MegaEdu informa que a rede estadual tem 971 escolas conectadas à internet, atendendo mais de 515 mil estudantes e 21 mil professores. A transmissão de aulas ao vivo tem sido usada em localidades em que o deslocamento entre comunidades dificulta a oferta presencial de disciplinas.
No Amazonas, a professora Ângela Alves, da Escola Estadual Gilberto Mestrinho, em Manacapuru, relata mudanças no trabalho pedagógico após a chegada da internet. “Hoje, conseguimos preencher o diário digital do professor e fazer pesquisas para planejar as aulas. Melhorou bastante”, afirma.
Levantamento aponta diferença entre conexão e oferta de equipamentos
A análise mostra que 46% das escolas públicas brasileiras possuem computadores em quantidade considerada adequada para uso educacional, com base no referencial do Ministério da Educação que prevê pelo menos duas horas semanais de utilização pelos alunos. O percentual representa avanço de três pontos em relação a 2024.
Ao mesmo tempo, uma em cada três escolas declarou não ter nenhum dispositivo para uso pedagógico.
Na Escola Estadual Gilberto Mestrinho, o estudante Luís Fernando Augusto Neves, de 14 anos, afirma que teve na escola o primeiro contato com computadores. “O que eu mais gostei foi que a gente sempre via um computador e tinha vontade de mexer. Eu não tinha conhecimento, ficava só batendo nas teclas. Foi muito importante aprender a mexer no computador”, diz.
MegaEdu cita R$ 2 bilhões ainda disponíveis nos estados
A Lei nº 14.172 destinou recursos para apoiar estados na promoção do acesso à internet e na aquisição de dispositivos para escolas públicas. Segundo a organização, cerca de R$ 2 bilhões ainda permanecem disponíveis nas contas dos estados para investimento em infraestrutura de tecnologia nas escolas, com prazo de execução até dezembro.
“Temos a chance, a partir da execução desse recurso que já está no caixa dos estados para este ano, que, a partir de agora, todas as futuras gerações no Brasil se formem na escola pública tendo acesso ao mundo digital como um recurso para aprendizagem. Essa infraestrutura é a chave para implementar políticas públicas fundamentais, como da Base Nacional Comum Curricular Computação”, afirma Cristieni Castilhos.
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