Brasscom: Setor de TIC representa 3,7% de empregos CLT no Brasil

A edição do Relatório de Diversidade 2025, feito pela Brasscom, aprofunda a análise dos indicadores de diversidade e inclusão no setor, refletindo o compromisso contínuo com a transparência e a promoção de um ambiente de trabalho mais equitativo e plural. Os dados, atualizados até dezembro do ano passado, consolidam uma visão abrangente sobre gênero, raça, pessoas com deficiência (PCD) e faixa etária.

O estudo destaca o setor TIC como um motor significativo da economia brasileira, representando 58% do mercado de trabalho formal do Macrossetor TIC, que, por sua vez, representa 3,7% de todos os empregos CLTs do país. É importante destacar que o Macrossetor TIC é uma categoria mais abrangente, que engloba as empresas diretamente ligadas à Tecnologia da Informação e Comunicação, produtoras de software, hardware e serviços de TI, além de empresas de Telecom e de TI In House, indústrias ou serviços que possuem grandes equipes de desenvolvimento de TI interno, como bancos, por exemplo. O setor TIC registrou um crescimento de 1,8% nas contratações em 2025 e, no total, emprega 1,2 milhão de profissionais.

Gênero: mulheres conquistam avanços salariais e ampliam presença na liderança

Em 2025, o crescimento salarial das mulheres (10,2%) superou o masculino (6,7%), elevando a equidade salarial para 73%. O indicador retoma o nível registrado em 2023 e acumula um avanço de 7 pontos percentuais desde 2019, reforçando progressos importantes e a necessidade de seguir avançando na promoção da equidade salarial. A participação feminina no setor TIC alcançou 39,2% (485.793 profissionais). Em 2025, foram adicionadas 10.328 mulheres ao setor, um crescimento de 2,2% em relação ao ano anterior, superando o crescimento masculino (1,6%).

Em cargos de diretoria e gerência, as mulheres representam 35,2% dos profissionais no setor TIC, um crescimento de 1,2 ponto percentual desde 2019. Nas áreas de Operações de TIC e P&D, esse avanço é ainda mais expressivo, com a participação feminina subindo para 31%, um aumento de 7,5 pontos percentuais no mesmo período. A pesquisa revela ainda que mulheres em cargos de liderança apresentam, em média, maior qualificação, com 14% possuindo pós-graduação, mestrado ou doutorado, comparado a 11% entre os homens.

Raça e etnia: participação de pretos e pardos fortalece a diversidade do setor

A composição do quadro de profissionais por cor ou raça em dezembro de 2025 mostra 51% de pessoas brancas, 27% pardas, 15% não declaradas e 5% pretas. O crescimento do setor em 2025 foi impulsionado, em grande parte, pelo avanço de profissionais pardos. Entre dezembro de 2024 e dezembro de 2025, os profissionais pardos adicionaram 17.214 vínculos e os pretos, 4.318.

A diversidade racial avança especialmente nas posições de base: a participação de profissionais pardos em cargos de auxiliar e assistente cresceu de 31% para 39% (+8 p.p.), e em técnicos, de 31% para 39% (+7 p.p.). Profissionais pretos também registraram crescimento nessas categorias, com destaque para auxiliares e assistentes (de 5% para 7%) e técnicos (de 5% para 6%).

No recorte de gênero e raça em 2025, mulheres pretas e pardas registraram crescimentos de 8,7% e 6,1%, respectivamente, em suas contratações. Contudo, na alta liderança (diretoria e gerência), a representatividade de pardos é de 13,5% e de pretos, de 1,9%, evidenciando um desafio persistente.

Regionalmente, enquanto Sudeste e Sul concentram a maior parte dos profissionais de TIC, com predominância de trabalhadores brancos, as regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste apresentam perfis raciais mais diversos, com alta participação de profissionais pardos, sinalizando a ampliação de oportunidades para além dos grandes centros.

Pessoas com Deficiência (PCDs): maior inclusão e equilíbrio de gênero

O setor de TIC mantém uma participação de profissionais PCDs superior à média nacional, com 0,9% (10.986 profissionais) da força de trabalho, em comparação com 0,7% no mercado nacional. O setor também se destaca pelo maior equilíbrio de gênero na inclusão de PCDs, com 41,9% de mulheres, contra 39,9% na média nacional.

Entre 2019 e 2025, o emprego de PCDs nas áreas de Operações de TIC e P&D apresentou crescimento consistente, com um aumento de 87% entre mulheres (de 543 para 1.015) e de 44% entre homens (de 1.861 para 2.679), indicando uma evolução na inclusão sob a perspectiva de gênero.

Faixa etária: perfil jovem fortalece o setor

O perfil etário do setor de TIC é predominantemente jovem. Em 2025, 57,2% dos profissionais têm entre 19 e 29 anos, uma concentração acentuada em comparação com a média nacional (36,3%). O crescimento das contratações em 2025 se concentrou nas faixas etárias mais jovens, com um aumento de 16.250 vínculos até 18 anos e 24.631 vínculos entre profissionais de 19 e 29 anos, evidenciando a forte atração e absorção de novos talentos.

De acordo com a gerente de Inteligência da Brasscom, Helena Loiola Persona, o Relatório de Diversidade da associação mapeia os avanços significativos do setor de TIC em direção à inclusão, e reitera o compromisso com a criação de um ambiente de trabalho que reflita a riqueza da sociedade brasileira.

“Vemos progressos tangíveis na equidade salarial, na representatividade feminina em liderança e na inclusão racial e de PCDs, especialmente nas posições de entrada e em áreas estratégicas. Contudo, os dados nos mostram que o caminho ainda é longo, particularmente na promoção de profissionais negros e pardos aos mais altos níveis hierárquicos. Seguimos dedicados a impulsionar ações que garantam não só a entrada, mas também o desenvolvimento e a permanência de todos os talentos no nosso setor”, afirma Roberta Piozzi, diretora de Parcerias e Projetos em Educação na Brasscom.

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